“Gosto da convivência com as pessoas, procuro ser agradável com todos”

O discreto funcionário da UTAD é uma das velhas glórias do futebol português. O nome “Fraguito” ainda ecoa na memória de muitos, que o recordam ao serviço do Sporting Clube de Portugal, nos anos 60 e 70, onde foi duas vezes campeão nacional. As imagens televisivas desse tempo dão testemunho da sua imensa qualidade, muito se orgulhando a cidade de Vila Real dos seus feitos notáveis. O município, em sua homenagem, gravou-lhe o nome na toponímia da sua aldeia natal.


Fale-nos um pouco da sua história de vida. Como foi a sua infância?

Nasci em Mouçós, mais propriamente na aldeia de Abobeleira. Em bebé fui para o Brasil, pois os meus pais, infelizmente, tiveram que ir, que a vida por cá não era fácil. E comecei lá no Brasil a interessar-me pelo futebol. Aí comecei a minha carreira. Ingressei em criança no Fluminense, no Rio de Janeiro, onde joguei até aos 15 anos e fui campeão três vezes. Mas, infelizmente, nessa altura um irmão meu foi assassinado e os meus pais com o desgosto regressaram a Portugal. Ingressei então no [Sport Clube de] Vila Real. Tinha 16 anos e já jogava na primeira equipa, mas foi preciso uma autorização do Ministro, pois não se podia jogar com essa idade.

E os estudos, onde os fez?

Estudei no Brasil e estudei cá. Mas como não havia equivalência, tive de fazer tudo outra vez em Portugal. E, já de adulto, estudei até ao 12º ano.

Depois, saiu de Vila Real e foi jogar para Lisboa. Como aconteceu essa passagem?

Houve quem me visse jogar nas distritais e foi então que um senhor de Murça, que até hoje não sei quem é, escreveu para Lisboa, para o Selecionador Nacional de Juniores, a dizer que havia aqui um miúdo, que jogava assim e tal… e, por um descargo de consciência, ele mandou-me chamar. E pronto, foi aí que comecei. Joguei na seleção e fui-me impondo por lá. Tirei o lugar a jogadores do Sporting, do Benfica… até que o Boavista se tornou interessado em mim. Fui então para o Boavista onde estive dois anos na 1ª divisão, e daqui fui para o Sporting, onde estive nove anos. Fui campeão duas vezes e tive três taças de Portugal pelo Sporting.

E como abandonou o futebol?

Abandonei porque fiz muitas operações. Naquela altura, a ortopedia e a medicina desportiva não estavam tão avançadas. Fiz cinco operações ao joelho esquerdo e duas ao direito. Ainda fui operado em Londres, e daí já só joguei mais um ano.

Depois veio para Vila Real. E a que se dedicou?

No meio disto tudo, tirei um curso de treinador e passei a treinar várias equipas cá, no Sport Clube de Vila Real, no Mateus, no Abambres.

E como veio para a UTAD?

Entrei para a UTAD em 1996. Fui trabalhar no CIFOP a apoiar o curso de Desporto e também na secretaria. Apoiava professores e alunos, assim como a manutenção de ginásios. Atualmente, trabalho no Bloco Laboratorial como zelador do edifício.

Do que mais gosta na UTAD e na sua atividade?

Gosto da convivência com as pessoas, procuro ser agradável com todos. Os alunos e os professores solicitam-me bastante. Na UTAD, gosto dos espaços verdes, dos nossos jardins, e gosto das pessoas com quem trabalho.

Fale-nos sobre a atividade que desenvolve fora da UTAD

Neste momento, estou a treinar uma equipa de competição de 10 anos e ando a treinar outros miúdos dos 5 aos 8 anos. Isto no Abambres, nas camadas juvenis. Já lá estou há 15 anos. Mas não os treino só para jogarem à bola, procuro também que ganhem o espírito de grupo, saibam conviver em grupo, aprender a respeitar regras.

Pode dar-nos a sua ideia para uma UTAD melhor?

Acho que há pessoas com mais competência para se pronunciarem sobre isso. No entanto, penso que deveria haver mais marketing no exterior. Mas os alunos devem também aprender a gostar da UTAD e serem eles também o seu melhor veículo, transmitindo uma boa ideia do que é a UTAD.

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Entrevista: Produção de conteúdos GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Fotos: José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem