“Praticamente passamos mais tempo aqui do que com a família e criam-se laços muito fortes aqui dentro”

Ajudar está no seu ADN, tanto profissionalmente na área da informática, uma paixão desde sempre, e que recentemente viu concretizada com a passagem para os Serviços de Informática e Comunicações da UTAD, mas também na condução de peregrinos. Organiza peregrinações a Fátima e diz sempre que o faz pela última vez… mas não consegue dizer não a quem lhe pede ajuda para os guiar na sua fé.


Gostávamos de o conhecer melhor. Fale-nos um pouco de si.

Sou casado, tenho duas filhas, de 13 e 4 anos, sou natural de Mateus [Vila Real] e tenho 44 anos. No meu percurso, desde jovem, fui escuteiro, fui músico na Banda de Mateus. Nas férias trabalhava sempre. Fiz o 12º ano técnico-profissional de informática e gestão na Morgado Mateus [Escola], depois surgiu a oportunidade de tirar um curso no Instituto da Juventude e fui para Lisboa fazer um estágio, onde estive envolvido no desenvolvimento de uma aplicação. Fui convidado para trabalhar numa empresa de informática – Informarão – e tive sempre esta paixão pela informática. Em 1999 fui convidado a fazer uma pré-inscrição para a UTAD, onde entrei para os Serviços Financeiros e Patrimoniais. Há um ano, vim para os Serviços de Informática e Comunicações (SIC). Está a correr bem e estou a gostar. Ainda estou a adaptar-me e a encaixar-me nos Serviços. Espero que futuramente possa estar ao nível dos meus colegas. Neste momento estou na parte do apoio informático a docentes, funcionários, alunos. Estive inicialmente a acompanhar o projeto Data Center, que será uma mais-valia para a UTAD.

Tendo chegado recentemente aos SIC, um serviço ligado à sua área de paixão, o que gosta mais na sua atividade profissional?

Sempre fui virado para a informática, uma área que está sempre em desenvolvimento, em que há sempre coisas novas para explorar, em que estamos sempre ativos. Depois há também o contato com as pessoas e isso dá-me satisfação saber que resolvemos problemas e elas também ficam contentes connosco.

Nesta era digital, ainda é difícil tentar explicar aos utilizadores os problemas informáticos que vão tendo nos seus computadores?

Não é difícil explicar… temos é de saber explicar! É fundamental saber falar com as pessoas e fazer com que entendam os problemas que surgem. Atualmente quando há uma inovação, alguma novidade ao nível informático, há alguma resistência à novidade, e quando se passou do sistema manual ao digital houve algumas pessoas que mostraram resistência à mudança.

Tendo em conta que está na UTAD há cerca de 17 anos e que já conhece bem a instituição, o que mais gosta na UTAD?

Talvez os colegas [pensativo]. Nós passamos aqui praticamente um terço da nossa vida, com estas pessoas. Praticamente passamos mais tempo aqui do que com a família e criam-se laços muito fortes aqui dentro. Tenho aqui bons amigos, boas pessoas, gostamos de estar, tomar café, falar de vários temas…Também o contato com os alunos. Aqui conhecemos muita gente que nos pede ajuda e nós tentamos ajudar o mais possível.

Tem alguma ideia para uma UTAD melhor?

Haver mais entreajuda entre as pessoas, serem mais amigáveis entre si… não tão centradas só em si e mostrarem só o que fazem. Eu tento sempre que posso ajudar os colegas. Não custa nada. Fui sempre assim, não vai ser agora que vou mudar isso. Essa é uma questão muito importante. Além do conhecimento… que também acho que falta um pouco a passagem de conhecimento uns aos outros. Mas também a formação e informação. Acho que as pessoas deviam fazer formação ou reciclagem tanto do conhecimento a nível pessoal… estar, saber-estar… a nível pedagógico…

Já percebemos que a palavra ajuda é recorrente no seu discurso e pratica-a na sua atividade profissional, mas a nível pessoal também ajuda outras pessoas a cumprirem as suas promessas de fé. Como e quando começou a organizar e peregrinações a Fátima?

A primeira vez que fui pai, a minha filha nasceu com um problema de saúde, que não era grave, mas não me caiu bem, fiquei chocado e, nessa altura, uma das coisas em que me apoiei foi prometer ir a pé a Fátima nesse ano, a 13 de maio. Quando fui, integrado num grupo de 38 pessoas, as coisas não correram muito bem ao nível da organização e o grupo a determinada altura separou-se. O grupo onde fiquei ajudei-os a chegar a Fátima. Esta experiência marcou muito, e os elementos que ficaram comigo gostaram tanto que me incentivaram a tornar-me guia. Em 2004 convidaram-me a fazer um grupo. A minha ideia passou por estudar o que é ir a pé a Fátima, como ir a pé a Fátima e a melhor maneira de ajudar as pessoas. Com este grupo de 10 pessoas surgiu a oportunidade e foi tudo esquematizado e levámos uma carrinha de apoio com tudo o que era necessário e fomos. As minhas peregrinações são feitas a 13 de outubro, porque em maio é mais perigoso e confuso. Criam-se etapas, há umas mais pequenas que outras, mas há uma mais complicada… Santa Comba – Coimbra.

Está neste momento a preparar alguma peregrinação?

Sim, agora temos um grupo de 20 pessoas. Mas isto só é possível tenho algumas pessoas que me ajudam, meus irmãos, colegas, o Sr. Fernando nos treinos, a quem chamamos GPS [risos], e fazemos agora a preparação para outubro. Aos domingos fazemos 20, 30 km o que é fundamental para as pessoas se prepararem fisicamente, mas também para que se possam conhecer. Nós chegamos a determinada altura que o cansaço é tanto que pode haver atrito, por isso é fundamental conhecerem-se.

Depois de uma viagem tão longa em que a distância e o esforço físico e psicológico é imenso, qual é a reação dos peregrinos quando chegam ao Santuário?

Ir a pé a Fátima não é fácil…há muitas dificuldades, bolhas [nos pés]… são sete dias…saímos no dia 6 e chegamos ao dia 12. Como não é fácil chegar lá… quando se chega é uma sensação de alegria, satisfação… depois há uma mística que não se consegue explicar… o prazer de estar lá… as pessoas agarram-se a chorar, é uma alegria imensa… chegamos ali parece que passa tudo… as bolhas já não doem tanto…

E o Ricardo? O que sente quando chega com as pessoas com quem se comprometeu ajudar a cumprir as suas promessas?

Eu digo sempre que é o último ano! Isto não é fácil porque sinto uma responsabilidade enorme em levar as pessoas. Mas acaba sempre por não ser. Quando estamos a chegar a Fátima é um alívio porque as coisas correram bem, porque as pessoas estão bem, porque está tudo bem. Nessas viagens criam-se amizades inesquecíveis, são sete dias onde se arranjam amizades para uma vida. Só é pena não termos mais tempo para estarmos todos juntos. De certeza que as pessoas gostariam de relembrar as viagens que tivemos…

Veja também esta entrevista em vídeo: [VER]
Entrevista: Rosa Rebelo | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Vídeo: José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem