“O nosso campus tem um conjunto de estruturas que o tornam único no país na vertente do ensino na área florestal”

Cresceu entre Chaves e o Porto, mas fixou-se a meio do caminho. Estudou na UTAD e aqui ficou como docente. Apaixonado pela floresta, ultrapassou já em muito a velha máxima: é um dos responsáveis pela plantação de mais 300 mil árvores, tem dois filhos e já escreveu vários livros. Eclético, revelou ainda um dos seus passatempos, a Astronomia, ciência mostra a dimensão relativa do homem…


Gostávamos de o conhecer melhor. Fale-nos um pouco de si.

Nasci em Chaves, mas também vivi no Porto. Cresci nestes dois sítios. Tenho dois filhos com 19 anos… um rapaz e uma rapariga… são gémeos (risos). Vim para Vila Real para estudar engenharia florestal, porque gosto da natureza e por influência de um familiar florestal e fiquei cá (risos).

Chegou à UTAD como estudante e atualmente exerce aqui funções. Que funções e onde exerce?

Comecei a minha atividade na área da botânica. Ainda estava a acabar o curso, quando fui convidado como monitor para o departamento de Biologia e depois passei para o departamento de Florestal. Houve um concurso na área da silvicultura e dendrologia e entrei como assistente estagiário. Neste momento sou professor auxiliar na área da silvicultura, uma área que lida com árvores, com a floresta…(sorri).

O que mais gosta na sua atividade profissional?

Eu gosto muito de árvores (risos). Portanto tudo o que tenha a ver com a silvicultura eu gosto! A beleza, o significado das árvores, o que elas nos proporcionam… Elas dão-nos tanta coisa de forma silenciosa que nem nos apercebemos. São suporte de vida e de bem-estar para a sociedade, para o ambiente e a natureza em geral… Por isso nos cursos de Engenharia Florestal e Arquitetura Paisagista e desenvolvo diversas atividades com alunos em árvores, produção de plantas, plantação e condução da floresta. Todos anos os alunos vão plantar árvores, o que é uma tarefa nobre!

O que mais gosta na UTAD?

O nosso campus tem um conjunto de estruturas que o tornam único no país na vertente do ensino na área florestal. A floresta é uma área importante para o desenvolvimento do país e para o ensino florestal nós temos um conjunto de estruturas como o arboreto, o viveiro, espaços arborizados e outras, que nos diferenciam no país e nos tornam numa melhor escola neste nível. O campus,com o arboreto, tem mais de 100 espécies… mas o importante não é o número, porque seria impensável reunirmos todas as árvores, mas sim as espécies mais representativas, mais usuais.

Sabemos que está envolvido num importante programa nacional de recuperação da floresta autóctone… Quer falar-nos sobre esse projeto?

Sim. É o Projeto Floresta Comum que visa o fomento da arborização das espécies autóctones no nosso território. Este projeto reúne a Quercus, o INCF, a Associação Nacional de Municípios e a UTAD – parceiro científico e técnico do projeto – que represento. As principais ações são a colheita de sementes, onde também se desenvolvem ações de voluntariado, que são entregues no Centro Nacional de Sementes Florestais, que as processa e distribui para quatro grandes viveiros em Portugal. Os parceiros do projeto Floresta Comum recebem as candidaturas dos municípios a nível nacional, e depois de analisadas faz-se a distribuição das plantas. Os municípios fazem as ações de arborização muito com a participação de voluntários. Qualquer cidadão pode participar tanto na recolha de sementes como nas ações de arborização (sorri). Por isso temos envolvido os alunos da UTAD em diversas atividades, o que é bom para a sua formação académica e cívica. Até ao momento plantaram-se 300 mil árvores a nível nacional de 59 espécies diferentes. Um projeto que é para continuar e evoluir!

Com uma atividade tão intensa, como se encaixa aqui a Astronomia?

É uma boa pergunta (risos). É um dos passatempos, entre outros, como a leitura, pintura, jardinagem. Eu e o colega João Baptista temos desenvolvido diversas ações no âmbito da Ciência Viva – Astronomia no Verão – no fundo é levar a Astronomia às pessoas que muitas vezes não têm possibilidade de fazer uma observação. A Astronomia, para além da beleza de observar os Astros, a Lua, alguns Planetas, tem outra vertente que é mostrar a perceção da dimensão relativa do homem no universo…

Da experiência que tem, dos projetos em que está envolvido, tem alguma ideia para uma UTAD melhor?

Uma coisa boa que a UTAD tem… começa a ter, é a sua história. Apesar de ser uma universidade relativamente jovem (risos), a história é importante, o saber acumulado, o conhecimento adquirido, a transmissão de conhecimento… isso também faz uma instituição, isso é muito importante! Para uma UTAD melhor salientava o peso excessivo da burocracia. Há estruturas que poderiam funcionar melhor entre si, as atividades e os processos administrativos poderiam ser mais céleres o que facilitaria o nosso trabalho.

Veja também esta entrevista em vídeo: [VER]
Entrevista: Rosa Rebelo | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Fotos e Vídeo (Realização): José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem