«Muito faz a UTAD, tendo em conta que é uma das universidades mais jovens do país.»

João Soares Carrola é docente e investigador da UTAD. Nasceu e viveu a adolescência no País Basco francês, onde foi marcado pelas suas singulares paisagens rurais e costumes tradicionais. A natureza, o ambiente e os seres que lhes dão vida concentram, por isso, grande parte das suas preocupações como professor e cientista. Hoje é um investigador do CITAB que com o seu trabalho e dedicação ajuda a engrandecer a UTAD.


Fale um pouco de si e sua história de vida

Nasci em França, mais propriamente no País Basco francês, para onde os meus pais tinham emigrado. Aí vivi até aos 14 anos e estudei até ao 7º ano. Em 1985 os meus pais regressaram para o concelho do Fundão, onde prossegui os estudos até ao 9º ano. Fui depois para Belmonte, aí conclui o curso técnico-profissional de Agropecuária na escola secundária da Aldeia do Souto, e, a seguir, em 1991, acabei por vir para Vila Real e entrei em Engenharia Zootécnica na UTAD. No final do curso, tive a sorte de poder estagiar na Universidade Publica da Navarra como aluno ERASMUS em Pamplona, norte de Espanha. Como estudante na UTAD, gostei muito de Vila Real, da região, do Douro, do Alvão e das suas gentes. Depois do curso concluído tive a oportunidade de dar aulas de Microbiologia, e fui ficando pelo DeBA. Em 2003 terminei o mestrado em Produção Animal – Ciências Agrárias, e mais tarde, em 2011, concluí o doutoramento em Ciências do Ambiente.

O que faz, em concreto, na UTAD?

Sou docente do Departamento de Biologia e Ambiente, nas disciplinas de zoologia, toxicologia, toxicologia alimentar e também de Ecotoxicologia. A investigação que faço está ligada à ictiofauna e principalmente ao estudo dos efeitos da poluição da água na saúde dos peixes, com consequências nos ecossistemas, mas também no Homem.

Do que mais gosta na atividade que desenvolve na Universidade?

Gosto muito de ensinar mas também de fazer investigação. E como aprecio a fotografia (dou formação de fotografia/fotografia científica) utilizo esses conhecimentos para melhorar as aulas e os documentos de apoio ao estudo, mas também na investigação que realizo. E daí que um dos meus primeiros projetos tem sido fotografar o Campus da UTAD por onde circulamos todos os dias. As fotos desde há muito tempo, vão sendo utilizadas não só no site do Jardim Botânico da UTAD e da própria UTAD, mas também nos eventos, divulgação de congressos, palestras, etc. Neste domínio, estou a ultimar um livro “ O Campus da UTAD pela imagem” em parceria com o meu amigo, Prof. Luís Torres de Castro, um livro bilingue (português/inglês), com muitas imagens, tiradas ao longo dos últimos 11 anos. Penso que será possível fazer a sua apresentação ainda este ano.

O que mais gosta na UTAD?

Temos um campus lindíssimo, um local onde muita gente gostaria de poder trabalhar. Nos últimos anos foram feitas mudanças estruturais consideráveis, tanto no ensino como na investigação, com um ordenamento físico e funcional considerável, e um conjunto de medidas que permitiram engrandecer a imagem da UTAD. Isso foi ótimo. Enquanto instituição, temos de ter em conta que a UTAD é uma universidade pequena e muito jovem, basta comparar com Universidade de Coimbra ou a de Évora, e acho que muito se se tem feito e muito se continua a fazer na UTAD. Melhoramos muito. A sinergia entre a UTAD e a Camara Municipal de Vila Real tem fortalecido o papel da UTAD. Não podemos esquecer o papel do atual Reitor, que é uma pessoa extremamente dinâmica, e um líder com visão estratégica, e a UTAD tem se afirmado cada vez mais como instituição de referência no Norte do Pais.

Fale um pouco da sua atividade fora da universidade.

Tenho os meus passatempos. Sempre fiz muito desporto e ultimamente tenho praticado BBT. Tenho também a fotografia, algo que começou há bastante tempo. Durante a semana tenho também aulas de danças latinas, o que me permite desligar um pouco do trabalho. O hobby mais antigo foi, contudo, o da aquariofilia. Começou em 1994, quando me emprestaram um aquário de 10 l, e, como gostei da experiência, mais tarde comprei um aquário maior de 100 l. Começou aí o gosto pelos peixes e pelos aquários, e foi onde fui parar depois em termos de investigação, estudo da ictiofauna, dimensionamento de sistemas de filtração e de aquários como foi o caso dos Aquários no Centro de Ciência Viva da Floresta “Peixes da nossa floresta” em Proença-a-Nova, integrados na inauguração do edifício pelo Presidente da Republica em 2010. Faço também coleção de bioballs, utilizadas em sistemas de filtração nos aquários. Quanto à organização de eventos, estou com a organização do Passeio Fotográfico de Carrazedo de Montenegro/Quinta da Alagoa, e vamos a caminho da 10ª edição. Decorre em parte na Casa Agrícola da Alagoa perto de Silva, quinta da Alagoa/quinta da Ferradosa, com cerca de 170 ha no total, com a qual a UTAD tem um protocolo. É um passeio que permite captar imagens lindíssimas, sem esquecer a importância da prática de atividade física, o convívio e culminando num jantar gastronómico.

É, pois, a fotografia o seu maior hobby?

Sim, apesar de ter pouco tempo disponível. Comecei a fotografar em 1998 quando comprei a minha primeira maquina Reflex analógica. Em 2005 entrei na era digital, e a atividade fotográfica mudou muito. É desde essa altura que tenho vindo a fotografar o nosso campus. Mais recentemente, tenho feito algumas fotografias também no Douro. E coloco parte do trabalho numa página do facebook que é “Douro Photography”. Aproveito e promovo as imagens lindíssimas do Douro, de tal maneira que, fui convidado para participar no calendário da National Geographic Portugal de 2015, com uma fotografia que mostra os socalcos do Douro.

Apresente-nos uma ideia melhor para a UTAD

Houve muitas melhorias na UTAD nos últimos anos, tanto em termos estruturais como funcionais. O nosso campus é lindíssimo e nesse campo somos uma referência, mas temos que preservar o Jardim Botânico que temos. Com o Eco-campus vamos melhorar mais, mas, para quem anda a pé no campus, eu penso que o desenvolvimento de passeios cobertos nos trajetos mais importantes, e claro devidamente integrados na paisagem, seria algo muito interessante, e que nos permitiria andar protegidos do sol e da chuva. Não é uma tarefa fácil desenhar passeios cobertos bem integrados num campus tão bonito, mas é um desafio.

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Entrevista: Produção de conteúdos GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Fotos e vídeo: José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem