“o que eu gosto mais é de lidar com os investigadores”

Nasceu em África, formou-se nos Açores, mas escolheu Vila Real para viver e trabalhar. É um dos rostos do Gabinete de Apoio a Projetos da UTAD, onde gosta da relação com os investigadores, dos projetos, das ideias. Empreendedora, é ao fim de semana que cria e dá corpo à marca “Casa da Estação”.


Gostávamos de a conhecer melhor. Fale-nos um pouco de si.

Nasci em Moçambique, fiz Biologia na Universidade dos Açores – sou Bióloga (risos) – onde vivi 16 anos. Foi lá que comecei a trabalhar no GAPI (Gabinete de Apoio à Propriedade Intelectual) em transferência de tecnologia. Num encontro dos GAPI, soube que precisavam alguém na UTAD e, claro, concorri. Por motivos familiares precisava de vir para o continente e Vila Real dava-me jeito, acabei por ficar e estou cá desde 2007, na área dos projetos, candidaturas, marcas, patentes, etc…

Está na UTAD desde 2007, onde exerce a sua atividade? Que tipo de funções tem nesse organismo?

Neste momento estou no Gabinete de Apoio a Projetos – GAP – um gabinete de submissão de candidaturas e gestão de projetos, a propriedade intelectual, também claro, e de transferência de tecnologia. O que fazemos é a submissão de candidaturas, a gestão de projetos aprovados, na propriedade intelectual a submissão das patentes, a vigência das patentes, respostas a notificações, também a transferência de tecnologia – temos alguns contratos… Acaba por ser um gabinete de extrema importância quando se fala em candidaturas, projetos ou propriedade intelectual, porque tem de haver alguém que lide com os investigadores e com as empresas, que leve os investigadores às empresas ou que traga as empresas aqui (UTAD). Muitas vezes o investigador até quer, mas não se sente à vontade. Nós ajudamos a dar esse passo: trabalhar com as empresas. No que respeita à propriedade intelectual, os investigadores ainda não estão muito abertos a proteger os trabalhos ou a investigação deles. O que fazemos é 99% patentes, a maior parte são da UTAD mas também temos de empresas. Registamos marcas… temos grande adesão por parte das quintas, mas também temos marcas da UTAD, como a UTADTV. Esta deve ter sido uma das primeiras marcas que registei aqui – marca UTAD e UTADTV… se a memória não me falha (risos).

O que mais gosta na sua atividade profissional?

Eu gosto do que faço! A gestão dos projetos é talvez o que gosto menos. Como Bióloga, o que gosto mais é de lidar com os investigadores, conhecer as ideias, as candidaturas… Eu costumo dizer que o GAP é o gabinete mais animado da UTAD (risos), acho que todos nós gostamos do que fazemos (no GAP). Há dias melhores que outros. Gosto das patentes, gosto! Gosto daquela… não posso chamar adrenalina…mas daquele bichinho… (pensativa). No caso dos projetos, também. Temos projetos muito bons, temos candidaturas muito boas e ideias.

O que mais gosta na UTAD?

O campus! (risos). Acho que a UTAD tem um campus fantástico! Os Açores têm um campus engraçado, mas não é isto! Como Bióloga, gosto mais do verde, da natureza, dos passarinhos… só falta uma coisa… o mar! (risos). Gosto dos investigadores, como é uma universidade que não é pequena, mas também não é grande, acabamos todos por nos conhecer. Eu vesti a camisola desde o primeiro dia, a sério. Gosto! Com toda a franqueza já não me imagino a ir para outro lado. Alguém me dizia, quando eu vim para cá, “a UTAD fica no sangue”. E é capaz de ser… um bocadinho.

Sabemos que tem outro tipo de atividade fora da UTAD que desempenha nos seus tempos livres. Podemos saber mais sobre essa atividade?

Eu gosto de cozinhar. Sempre gostei. Quando vim para cá nunca tinha feito licores. Compotas sim, licores não. Experimentei! De vez em quando pediam para o natal e resolvi desafiar a Helena Carvalho do GAP. Começou como um hobby em 2008 e em 2012 começámos a fazer a sério e acaba por ser uma escapatória (risos). Quando estou à volta dos tachos e das panelas, dos cheiros… invento. Como nasci em África gosto muito de especiarias e daqueles cheiros. Sou capaz de estar um fim-de-semana a experimentar coisas novas e, de vez em quando, trago para o GAP (risos), normalmente os chutneys que são um acompanhamento agridoce. Vou para a cozinha, misturo, às vezes não sai bem, mas não digo nada a ninguém (risos), mas a maior parte das vezes até saem coisas engraçadas… A inspiração… volto à Biologia e às saudades que tenho de estar no laboratório… Isto não é uma brincadeira, não é, até porque houve algum investimento. Como tiveram alguma aceitação, os licores, os chutneys, as conservas, são um hobby. Gostamos de ver a cara das pessoas quando provam e, já que começámos, não vamos deixar cair. Vamos a feiras, temos (produtos) em algumas lojas cá, no Porto, na Maia. A marca surgiu porque costumava fazer caminhadas e a “Casa da Estação” veio de uma fotografia que tínhamos de uma estação abandonada na zona de Fortunho. Decidimos ficar com a marca “Casa da Estação” para homenagear as estações que já desapareceram. Não é profissional, mas acaba por ser a nossa imagem e as pessoas até gostam.

Uma ideia para uma UTAD melhor…

Com um campus tão bonito e tão grande, poderia haver mais coisas a fazer aqui…(pensativa). Abrir as portas da UTAD ao fim de semana ao resto da comunidade, aos turistas que aí vem… Porque não concertos aqui? Lá em cima existe um espaço magnífico, com uma vista fantástica, e concertos era espetacular, a sério! À sexta das quatro e meia às cinco e meia da tarde era a hora de lazer para estar com os colegas. Eu tenho a certeza absoluta, estou cá desde 2007 e não conheço metade dos funcionários. Há aqui na região vários grupos de garagem que não se importariam minimamente de tocar meia hora, uma hora…O pessoal ia gostar imenso!

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Entrevista: Rosa Rebelo | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Fotos e Vídeo (Realização): José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem