“As pessoas deviam andar mais a pé no campus”

Avelino Augusto Guerra Fernandes, natural de Vila Real, trabalha na UTAD desde 1986. Começou como guarda na extinta Escola Superior de Educação e hoje desempenha, com reconhecida competência, as suas funções nos Serviços de Financeiros e Patrimoniais. Com igual nobreza assumiu, ao longo de 24 anos, uma carreira louvável como bombeiro voluntário. Hoje faz parte do Quadro de Honra da Corporação Cruz Verde.


Fale-nos de si, dê-nos a conhecer um pouco da sua história de vida.

Sou natural de Vila Real, estudei na Escola Industrial e Comercial, que agora se chama Escola de S. Pedro, onde tirei o curso geral de administração e comércio. Estudei até ao 5º ano antigo, que tem equivalência ao 11º ano. Com o falecimento do meu pai passei a estudar à noite, e de dia ia trabalhar para o Parque Florestal, onde estive até ir para a tropa. Neste meio tempo entrei para os bombeiros e, depois da tropa, fiquei lá como telefonista até entrar para a então Escola Superior de Educação, no CIFOP. Isto foi em 12 de fevereiro de 1986. Entrei como guarda, mas estava também na biblioteca, no atendimento a docentes e alunos. Ia fazendo as requisições do levantamento dos livros que levavam para estudar. Depois, ainda estive no Desporto, também lá no CIFOP.

E o que fazia no Desporto?

Dava apoio às aulas de ginástica, na sala de musculação. Nas aulas de ginástica rítmica colocava música para acompanhar as aulas e fornecia o material de que precisavam para as diversas atividades. Depois fui a concurso, naquele tempo para escriturário, que agora é assistente técnico, e vim aqui para a contabilidade da Universidade, onde hoje estou.

Do que mais gosta na sua atividade?

Como o meu curso que tirei na escola industrial tinha a ver com a contabilidade, que era a disciplina de que eu gostava, acho que, no trabalho onde estou neste momento, é do que mais gosto.

E na UTAD, do que mais gosta?

Gosto do Jardim Botânico. Gosto de conviver com, os colegas, professores e alunos. Quando os professores precisam de esclarecimentos sobre certos projetos que eles têm, quanto à receita e outros assuntos, estou sempre disponível para eles, para os informar.

Tem alguma ideia para uma UTAD melhor?

Acho que devia haver menos trânsito no campus quanto a viaturas e haver mais autocarros para transportar funcionários, alunos e mesmo docentes. E as pessoas deviam também andar mais a pé no campus, pois o muito trânsito de automóveis atrasa muito a circulação dos autocarros. Às vezes demoram porque não podem passar e atrasam os horários, depois os funcionários chegam atrasados ao serviço.

Está no Quadro de Honra dos Bombeiros da corporação Cruz Verde. O que significa isso?

Os bombeiros com mais anos e tendo bom efetivo serviço passam para o Quadro de Honra. Eu passei para esse estatuto após 24 anos de serviço. Participo nas procissões, nas cerimónias, vou a congressos representar a corporação.

Sobre a sua experiência enquanto bombeiro, recorda-se de alguma que mais o tenha marcado?

Tenho algumas situações que me marcaram muito. Lembro-me de uma ocasião em que fomos chamados pelo hospital, ainda era o hospital velho, para levarmos uma senhora ao Hospital de Santo António, no Porto. Era uma senhora que tinha tido um parto e o bebé nasceu morto. Fomos então pela estrada velha até ao Porto, pois ainda não havia o IP4. Ia eu de maqueiro, ia o motorista e uma senhora enfermeira com a doente. E para a socorrer, tivemos de parar no Hospital de Amarante, depois no de Penafiel, depois no de Valongo, até chegarmos ao Porto. Quando chegámos ao Hospital de Santo António, estávamos já a subir os degraus com a senhora, e ela faleceu. Chocou-me muito, pois fizemos tudo para chegar a tempo de a salvar e faleceu-nos mesmo ali, onde podia ser salva.

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Entrevista: Produção de conteúdos GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem
Fotos: José Paulo Santos | GCI – Gabinete de Comunicação e Imagem