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Estudar na UTAD foi a tática para o sucesso

​Pedro Caixinha é um dos símbolos do desporto da UTAD. Atualmente aos comandos do Santos Laguna, no México, o treinador lembra com saudade a passagem pela academia transmontana.

“Todos falavam maravilhas da licenciatura da UTAD, da cidade e da vida estudantil”, justifica Pedro Caixinha. Era em Beja, sua terra natal, que ouvia os conterrâneos elogiar a famigerada universidade que se escondia para lá dos montes. Em 1993, acabaria por tomar a decisão e partir à descoberta de uma nova realidade. “Não conhecia nada, mesmo nada! Foi a primeira vez que viajei tão a norte no nosso País. Quando fui fazer os pré-requisitos, lembro-me que o meu pai me ofereceu a viagem de avião. Foi marcante por ter sido também a minha primeira vez”, revela.
A adaptação à cidade transmontana fez-se de forma espontânea, beneficiando do acolhimento do grupo de amigos que rapidamente se constituiu. “Havia um ótimo ambiente entre os colegas de desporto, em todo o CIFOP. Identifiquei-me imediatamente com a licenciatura e queria aprender o máximo possível.”
Apesar de ter vivido algumas mudanças no seu dia a dia, “largando as planícies para abraçar os montes”, houve sempre uma certeza inabalável no seu horizonte: o futebol. “Sempre tive uma relação de proximidade com o desporto, de uma forma geral. Desde cedo adquiri, e ainda mantenho, hábitos de prática desportiva mas, a partir dos 14 anos, o futebol passou a ser a minha obsessão.”
Para fortalecer as certezas que já tinha, muito contribuíram os ensinamentos de alguns professores, com realce para os nomes de Jaime Sampaio, António Serôdio e Vítor Maçãs. “Destaco o primeiro pelo verdadeiro espírito académico e de investigador que tem, pela forma como nos apresentava a matéria e nos levava mais além. O segundo pela relação pessoal que criava e pelo seu método de ensino muito ao jeito do ‘clube dos poetas mortos’. O terceiro pela maneira como me fez perceber um jogo de futebol e desenvolver, de uma forma integral, aquela que hoje é a minha profissão.”
Ainda hoje, o treinador mantém rotinas que ganhou nos tempos de estudante. Não falhava uma aula, fosse teórica ou prática. “Talvez por isso, só tive de fazer uma disciplina por exame. Ainda hoje funciono assim: blocos de grande sobrecarga de trabalho seguidos de curtas pausas para desligar e carregar a pilha.”
A par da dedicação aos estudos, sobrava muito tempo para o divertimento e o convívio com colegas. Participou nos cinco cortejos da semana académica e procurava no Pioledo a descompressão que se exigia. “Recordo com saudade esses tempos de loucura ‘saudável’. Não saía com muita frequência, mas quando saía tenho ideia que se não ganhava a camisola amarela, ganhava o prémio da montanha.”
Aos 43 anos, o treinador considera que adquiriu sólidos métodos de trabalho enquanto pisava a relva dos campos da academia. Sempre que a agenda lhe permite, Pedro tem regressado à UTAD e é nessas alturas que a nostalgia dos melhores momentos emerge. “Reparo nas principais diferenças que se vão fazendo na licenciatura, no campus, na cidade, nas casas onde vivi, nos locais que frequentava e nas saudades que tenho da boa gastronomia.”
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto) | Direitos Reservados (fotografia)