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O pulo de Marco Barbosa para o mundo empresarial

​A tese de mestrado já revelava o pragmatismo de Marco Barbosa: queria desenvolver uma ideia de negócio com elevado potencial. Da UTAD levou, também, vivências irrepetíveis e amizades duradouras.

A aplicação “Bewarket” serviu de trampolim para Marco Barbosa se tornar num jovem empreendedor de sucesso. Quis dar um novo ímpeto ao comércio eletrónico para que existisse “um pouco mais de confiança nas transações online” e conseguiu-o. Essa “espécie de eBay no Facebook” valeu-lhe algumas distinções e até uma proposta em Sillicon Valley, nos Estados Unidos, onde arrecadou conhecimentos empresariais. Aos 26 anos, Marco está a trabalhar no posicionamento da marca “Esolidar”, que cruza e-commerce e solidariedade.
Foi em 2005 que, apostado em estudar informática, Marco equacionou a UTAD, cujo acesso só exigia o exame de física. Na 2ª fase, resolvido o problema com a matemática, conseguiu vaga no Porto. “Como gostei tanto de estar na UTAD, tive de mandar uma carta para o Ministério da Educação a pedir para cancelar essa tentativa.”
O campus “totalmente diferente” gravou-se na sua memória RAM e logo no primeiro dia de aulas, conheceu os bytes do companheirismo. “Foi chegar e ser abraçado. O único tempo que estive sozinho foi desde que saí da pensão até ao Engenharias I.”
A adesão à praxe foi tão célere como um simples clique: “fui logo a gritar Electrotécnia e não Informática. Andei duas horas com eles, até que encontrei pessoal do meu curso”. Ainda caloiro, Marco Paulo, como o apelidaram, tinha uma agenda artística apertada. “Dava concertos no coreto do Jardim da Carreira. Tinha de chamar a plateia, as bailarinas e cantar, trocando o microfone entre as mãos como o verdadeiro Marco Paulo.” Não raras vezes, era vê-lo de megafone em punho a anunciar as promoções dos hipermercados. Esses atos em nada se compadeciam com a timidez de Marco. “Era bastante envergonhado e deixei de ser assim. Muito se deve à praxe, porque me forçaram a libertar-me e isso contribuiu imenso para o meu crescimento.”
Nascido em Aveiro, Marco adaptou-se à cidade transmontana sem sobressaltos. Morava num T5, com uma sala gigantesca que se transformava em recinto para jogar futebol, “até que o senhorio mandou limpar as paredes e proibiu”. Numa outra ocasião, organizaram uma LAN party, com computadores ligados em rede para jogarem, bebidas à discrição e decibéis em níveis elevados. Era verão, as janelas estavam abertas e “uma barulheira na rua” que convocou a polícia duas vezes na mesma noite. No backup das vivências académicas, Marco recupera ainda o episódio de uma madrugada em que, no regresso a casa, ficou alguns minutos para trás, o tempo suficiente para que os colegas lhe desocupassem o quarto e transferissem a mobília para a sala.
Na UTAD, Marco aprendeu a importância da proximidade e da comunicação numa organização. “No mundo empresarial, onde se fazem os melhores negócios, não existem essas barreiras, não existem os engravatados nem os títulos.” A conquista do 4º lugar do Microsoft Imagine Cup, uma competição mundial em que os estudantes são desafiados a apresentar soluções para problemas reais, mudou-lhe a perspetiva. “Desenvolvemos um projeto de recolha de óleo para reciclagem e, graças a isso, percebi o que queria para minha vida.”
Marco não se imagina motivado com uma rotina diária. Alicia-o a aprendizagem contínua e o desafio. “Ter uma equipa em que todos lutam pelo mesmo objetivo, em que há percalços e evolução, esta dinâmica apaixona-me.”
Desde que concluiu o curso, em 2010, Marco procura não falhar as semanas académicas, porque gosta “sempre de regressar às origens”. “É quase uma constante tentativa de ir buscar o que já passou”, destaca.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)