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Jorge Serôdio Borges: “Passei bons anos na UTAD”

Mais de duas décadas volvidas e Jorge Serôdio Borges, hoje enólogo, ainda sabe de cor o número de aluno. Regressar à academia é perceber que conseguiu fazer vingar alguns sonhos.
Descendente de uma família duriense com uma ligação umbilical às vinhas, Jorge Serôdio Borges acabou por enveredar pelo curso de enologia. “Sou a 5ª geração e, por isso, foi natural a minha opção. Vir para a UTAD foi juntar o útil ao agradável porque estava perto de casa.”
O primeiro ano como universitário foi marcante, porque havia todo um novo mundo para explorar. “Não éramos muitos... Eu sou o número 5862 e era giro porque toda a gente se conhecia, sobretudo nas engenharias.”
A praxe cumpriu os propósitos de integração na academia, com brincadeiras que também cimentaram laços afetivos. “A praxe, se for feita com bom senso, é útil porque é uma forma de conhecer os colegas e os costumes da escola.” Jorge não se livrou de andar de mão dada com colegas, lavar loiça na casa das colegas ou ter que as servir à mesa.
O Pioledo era o epicentro das vivências notívagas, onde as conversas aproximavam personalidades e geografias. As horas desfilavam e “ninguém arredava pé”. “Era um ambiente muito agradável. Passávamos a vida a conviver e a conhecer pessoas do país inteiro e até alguns estrangeiros.” Eleito como o expoente da diversão e da pândega, o rally das tascas era “o desafio de conseguir beber os vinhos horrorosos que nos davam.”
Jorge também jogou rugby na equipa da UTAD, o que “ajudou bastante a ganhar admiração pela faculdade como um todo”. “Criou-se um espírito de equipa e um amor à camisola que era mais do que ser só estudante”, salienta. As viagens para os jogos levavam o motorista ao desespero e Jorge recupera um episódio insólito: “estávamos cheios de calor e um colega nosso, como a abertura do tejadilho não abria, mandou-lhe dois murros e aquilo voou. Estivemos à procura durante uma hora até que o encontrámos num lameiro.”
Enquanto estudava, Jorge trabalhava também na empresa familiar, daí o seu empenho académico ser bastante mais pragmático. “Nunca me preocupei muito com as notas, mas em aprender as matérias que considerava importantes. A universidade deu-me muita explicação daquilo que já sabia empiricamente.” 
À bagagem académica, Jorge ainda juntou uma experiência internacional. “Fui de Erasmus com mais três colegas para o sul de Itália. Estivemos a trabalhar numa adega e foi muito positivo.” Assim que deixou a academia, Jorge começou logo a trabalhar e nunca parou. Em 2001, criou a sua própria empresa, cuja produção anual é superior a 40 mil garrafas.
“Pintas” assim se chama o vinho que se tornou na sua imagem de marca. Nasceu de uma miscelânia de sonho, amor, rigor e profissionalismo de Jorge e da esposa, também enóloga. “Foi o vinho mais difícil de fazer no mundo porque apostámos todas as moedas que tínhamos e aquilo não podia falhar.” 
Eleito enólogo do ano em 2008 e 2011, Jorge considera o seu curso como distintivo. “Antigamente, havia os engenheiros agrícolas que trabalhavam as vinhas e os enólogos só trabalham as uvas na adega. A visão global de toda a operação foi a grande mais-valia do curso de enologia da UTAD.” Jorge defente ainda que, na sua área, a UTAD “tem tudo para ser uma faculdade líder em Portugal e não só”. “Está localizada numa região que é hoje a região portuguesa com maior visibilidade internacional e que precisa de um apoio, de uma base científica.” 
Após duas semanas a viajar por Macau, Hong Kong, Suíça e Alemanha para vender os seus néctares, Jorge volta à UTAD e é mesmo “o regresso à origem”. “Um aluno quando vem para a universidade tem a cabeça repleta de sonhos. Ao voltar aqui, vemos aqueles que se concretizaram e os que não. Passei bons anos na UTAD e fiz muitas amizades”, conclui.

Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)