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Jorge Dias: “A UTAD faz parte de nós”

​Ao fim de 35 anos, o aluno 210 ainda guarda recordações de tempos notáveis. Para Jorge Dias, duriense de nascença, a UTAD será sempre a sua principal casa de formação. 

Apesar de não ter qualquer referência familiar na área agrícola, Jorge Dias sempre sentiu o apelo telúrico do lugar que o viu nascer. Natural de Santa Marta de Penaguião, terra salpicada de vinhedos, desde cedo se familiarizou com as cepas e os cachos de uvas. “É um concelho essencialmente vitícola e terá sido importante, na minha escolha, essa influência do meio ambiente.”
Quando se candidatou ao Ensino Superior, em 1979/80, a sua decisão era quase previsível: Engenharia Agrícola, uma oferta que encontrou no recém-criado Instituto Universitário de Trás-os-Montes e Alto Douro. “Não precisei de mudar de cidade porque também fiz o liceu em Vila Real. Para além disso, muitos dos colegas que tinha acabaram por ir também para o IUTAD.” Para legitimar a escolha, juntava-se ainda “a certeza de que o Douro seria uma das boas apostas a Norte”. “Tínhamos a convicção de que o Douro vingaria”, sublinha. 
Dos primeiros tempos de aulas, Jorge recorda, essencialmente, a excelência do ensino. “Mais importante do que a qualidade do edifício ou das salas onde tivemos aulas, era a qualidade académica dos professores que lecionavam as cadeiras fundamentais. Sabíamos que se estava a iniciar um projeto e bastava-nos a qualidade do ensino para termos motivos de orgulho, enquanto estudantes desta casa.”
Torres Pereira, Luiz Sampayo e Torres de Castro foram professores que o marcaram “pela maneira de estar e de ensinar”. Merecedor de grande estima e admiração foi, também, Bianchi de Aguiar, apesar de não ter sido seu docente. A estes nomes “incontornáveis” juntam-se ainda Nuno Moreira, Fernando Martins, Nuno Magalhães, João Coutinho, José Portela e Afonso Martins, sobretudo pela afinidade que tinham com os alunos. “O relacionamento ia muito além da estrita relação professor-aluno. Eram também pessoas de uma dimensão cultural e científica que marcava qualquer um”, justifica.
Com a filosofia de que “o ensino agronómico não se fazia só nas escolas” foram várias as visitas de estudo pela região e pelo País, que fomentaram o espírito de grupo e um ambiente de grande convívio. “Havia espírito de camaradagem com os colegas, professores e funcionários. Éramos uma família e a UTAD era a nossa casa.”
Ao vasculhar a memória, Jorge encontra também pedaços de boa disposição, vividos com os colegas, em alguns locais emblemáticos da cidade. “O nosso café de eleição era a Pastelaria Gomes. Tínhamos também o Cabanelas que era o local onde se ‘pernoitava’. Íamos para lá discutir as inquietações e os temas do momento.”
Quando Jorge e os colegas ansiavam por algo novo, não eram raras as escapadelas para fora da cidade que os unia. Braga, Porto, Pedras Salgadas, Peso da Régua ou Murça eram os destinos prediletos. “Não havia qualquer planeamento atempado e as saídas dependiam apenas da disponibilidade de transporte”, relembra.
Aos 52 anos, Jorge Dias conta já com um largo currículo e uma vasta experiência profissional. Foi professor na UTAD, esteve no Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), trabalhou de perto na criação da Lavradores de Feitoria e foi chefe de gabinete do então secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, Bianchi de Aguiar. Hoje é diretor geral na Gran Cruz Porto e considera que este percurso só é possível graças à formação que obteve na universidade transmontana. “Sempre me considerei relativamente empreendedor naquilo em que me envolvi. Existe empreendedorismo quando se reúnem três fatores: capital, trabalho e saber. Sem dúvida que a UTAD me deu, pelo menos, um terço daquilo que foi o desenvolvimento da minha vida.”

Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)