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Filipe Pinto: “UTAD é muito vocacionada para o aluno”

​Eleito como o Melhor Artista Português nos MTV EMA 2013, Filipe Pinto licenciou-se em engenharia florestal na UTAD. Ficaram-lhe as saudades das serras e das churrascadas com os colegas. 

“Sempre me identifiquei muito com a vertente ambiental, mas a UTAD possibilitou-me um conhecimento aprofundado”, realça Filipe Pinto. Desde tenra idade revelava “um gosto especial pelos bichos, pela Natureza em si”. A caminho da escola primária, inspirava os cheiros trazidos pela primavera enquanto cantarolava em surdina. Nas viagens à aldeia dos avós, no concelho de Sabrosa, Filipe e a família paravam para “respirar um bocadinho”. No verão, trocavam a praia pelo campismo. 
Em 2007, Filipe estava destinado a deixar o Porto para estudar em Vila Real. Na 1ª fase de candidaturas, as suas preferências iam para o curso de audiovisuais, surgindo ecologia aplicada em 5ª opção. “Esse foi o meu primeiro curso na UTAD, mas estava insatisfeito e na 2ª fase, voltei a insistir nos audiovisuais... Na 5ª opção, coloquei engenharia florestal e entrei.” Enquanto procurava a secretaria para se matricular, viu vacas e tratores. O pensamento que lhe ocorreu foi: “isto parece a aldeia do Obélix”.
Acabaria por ser praxado duas vezes, o que serviu para “enrijecer” e tornar-se “uma pessoa mais sociável”. “Rebolávamos muito, tipo queijo limiano, mas a praxe é estar com as pessoas que estão ao nosso lado a passar pelo mesmo. É a convivência que se cria que fica para a vida.” Em ecologia, ficou conhecido como o caloiro “Olhos D’Água” e a latada foi “daqueles momentos espetaculares”. “Tínhamos de fazer ouvir a nossa voz como se estivéssemos sozinhos”, lembra.
Houve, desde logo, uma ligação “quase familiar” com os docentes. “O nosso curso acaba por ser bastante acolhedor, porque somos poucos alunos. Se surgisse qualquer dúvida para os testes, os professores estavam muito disponíveis.” Fora da sala de aula, o relacionamento continuava a ser de “convivência e fraternidade”, reuniam-se à volta da fogueira para magustos ou churrascadas. “Esta forma diferente de estar e o facto de ter as serras do Alvão e do Marão muito perto fizeram-me apaixonar pelo curso.”
É incontornável não resgatar a primeira vez que viu nevar, os jantares de curso precedidos de tardes no Alvão ou as incursões noturnas à serra do Marão. “No Pioledo, havia algo místico. O pessoal cumprimentava-se e era tudo muito tranquilo e seguro”, acrescenta. No verão, Filipe e os colegas faziam de conta que não havia aulas e rumavam às Fisgas de Ermelo.
Sozinho e em casa, Filipe dedicava-se às suas atividades extracurriculares de eleição: dedilhava a guitarra, compunha e cantava. Tudo isso perdeu o recato em 2009, porque duas amigas o inscreveram no concurso “Ídolos”. “Os meus colegas souberam pela televisão e ficaram surpresos, mas apoiaram-me muito”, relata.
Os efeitos do mediatismo não tardaram, mas junto dos colegas sentia “um nicho de proteção”. “Enquanto andasse na rua, vinha tudo a correr. Com o pessoal, estava tudo normal e tinha a paz que precisava.” O primeiro autógrafo foi arrancado à saída de uma das cantinas da UTAD, quando Filipe ia à boleia com um amigo que se viu a obrigado “a travar a fundo para não atropelar” uma fã.
Vencido o concurso e antes de rumar à London Music School, Filipe embrenhou-se no compromisso de concluir a licenciatura. “A UTAD é muito vocacionada para os alunos. Ensinou-me a trabalhar ao máximo e a esforçar-me por conseguir os objetivos.”
Agora com 25 anos, Filipe vê o seu nome firmar-se no panorama musical português. Em mãos, tem o projeto “Planeta Limpo de Filipe Pinto”, que lhe permite cruzar as suas paixões em nome de uma educação ambiental para os mais novos.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)