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Ana Cristina Rocha, a filha pródiga

​Em tempos, sentou-se na plateia para aprender mas, anos mais tarde, dirigiu-se ao palanque para ensinar língua inglesa. Ana Cristina Rocha é uma das mais recentes contratações da UTAD. 

Viana do Castelo é o seu torrão natal, Vila Real é a cidade onde trabalha e em Braga, está a fazer o doutoramento em Modernidades Comparadas. O sorriso aberto de Ana Cristina Rocha desarma qualquer dificuldade neste percurso. “É muito cansativo, mas não conheço outro modelo de trabalhar. Fiz o mestrado e a pós-graduação nesse registo. Por isso, é só uma questão de me adaptar.”
A UTAD repete-se no seu currículo, como instituição onde frequentou a licenciatura em Ensino de Português/Inglês e como a mais recente entidade empregadora. “É a minha casa mãe, o meu local de partida para tudo aquilo que fiz nos anos seguintes”, reconhece.
Com um mestrado em Línguas, Literaturas e Culturas e uma pós-graduação em Literatura Medieval na bagagem, Ana trabalhou em escolas públicas, em escolas de línguas, no Instituto Politécnico de Castelo Branco e, ainda, como tradutora. Contudo, investir numa carreira universitária “sempre foi um objetivo”. “Comecei-me a aperceber que o meu perfil não é de professora de Secundário. Sempre me revi mais num contexto de ensino universitário.”
Aos 32 anos, Ana teve acesso à oferta de trabalho da UTAD e, apesar da firme convicção de que “devia haver milhares de pessoas a fazer o mesmo”, decidiu concorrer. “Uma semana depois, estavam a enviar-me a proposta e a perguntar se ainda estava interessada.” Na entrevista, o nervosismo debatia-se com “alguma esperança” num eventual regresso à cidade transmontana.
Em meados de fevereiro, Ana iniciou funções no departamento de línguas da academia transmontana, cujos recantos conhece tão bem. “Regressei ao fim de oito anos e a maior parte dos meus professores já foi embora, mas os que me reconheceram ficaram muito contentes e isso prova que, de alguma forma, pertencemos a um lugar.”
Daqueles primeiros dias, ficou-lhe cravada a sensação de entrar no anfiteatro, onde habitualmente tinha aulas, e ser assaltada pela dúvida. “Foi um momento de epifania, de dejà vu. Os meus alunos estavam a entrar e eu tive de pensar ‘não sou eu que me vou sentar ali, estou do lado de cá’ e a sensação é muito boa, gratificante.”
Quando partilhou, com os seus discípulos, o seu passado universitário, Ana soube como canalizar a surpresa para a motivação. “Trabalho com jovens muito interessantes, que têm muito para dar. É um desafio que acredito que, no final, dê frutos muito interessantes.”
Dos tempos de estudante da academia, ficaram-lhe tatuadas vivências “absolutamente extraordinárias”, a riqueza gastronómica de Vila Real e as tonalidades outonais que vestiam o campus universitário. “Ficamos marcados pela cidade e por tudo o que está à volta, pela beleza das montanhas. Por outro lado, não conheço outono tão belo como aquele que vi na UTAD... Eu cheguei em setembro e nunca vou esquecer a beleza daquelas cores. É a imagem de marca que tenho do campus.”
Se alguém bate à porta do departamento, a resposta é dada na língua de Shakespeare. “Temos este hábito que prezo bastante. Tenho excelentes colegas e um ótimo ambiente de trabalho.”
De segunda a quarta-feira, Ana tem como missão lecionar inglês aos cursos de ciências da comunicação, serviço social e engenharia informática, num total de 180 alunos. A viagem para Braga acontece à quinta-feira, porque “era uma prioridade estar a dar aulas e a fazer o doutoramento”. “O lado mais positivo é estar na UTAD e feliz com aquilo que estou a fazer”, salienta.
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)