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UTAD é um orgulho intrínseco em Luís Montenegro



Vila-realense de gema, o aluno nº 1487 escolheu aprender a cuidar da saúde dos animais, sem descurar outras vivências. As amizades, os professores e as “ferramentas científicas” perduram-lhe na memória.
 
Estudar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro valeu, a Luís Montenegro, ensinamentos científicos e humanísticos que lhe pautaram o futuro profissional. “Foram tempos marcantes e inesquecíveis, pelas pessoas com quem convivi e pelas ferramentas científicas que herdei. Foi na UTAD que ganhei o gosto de aprender, de saber fazer, o valor da humildade e o respeito pelo sofrimento dos outros, sejam pessoas ou animais.”
 
Nascido e criado em Vila Real, Luís Montenegro não resistiu à “sedução” da academia transmontana quando se equacionou a hipótese de concorrer ao curso de Medicina no ICBAS. A integração na vida académica fez-se de forma gradual e com algumas nuances. “Na altura, havia uma rivalidade saudável entre os vila-realenses e os «imigrados» que chegavam e despertavam curiosidade e expectativa aos nativos da Bila, habituados a comandar as terras «para lá do Marão».” Independentemente disso, rapidamente criou laços com os colegas de curso oriundos de todos os “cantinhos do País, incluindo os colegas dos PALOP que contribuíam para uma mescla cultural invejável”.
 
Para além das vivências normais de estudante, onde se incluíam as “farras do Pioledo, com os amigos da terra e os novos colegas de curso”, Luís Montenegro conjugava os estudos com o trabalho de comercial para garantir alguma autonomia financeira. “Com o capacete debaixo do braço e umas folhas para anotações, lá fui passando sempre em julho”, refere.
 
As suas competências de vendedor foram usadas, também, na promoção do arraial popular de Veterinária. “Os simpáticos camaradas do PCP de Vila Real emprestavam-me o seu megafone e, assim, fazíamos a divulgação do famoso arraial por toda a cidade, o que incluía o uso do pregão no mercado municipal”, relata. O evento tornou-se “célebre”, atraindo os vila-realenses à UTAD para “ouvirem boa música e comer os maravilhosos petiscos feitos por este grupo de alunos”.
 
Sem se considerar um aluno de exceção, Luís Montenegro acabou por ser o segundo a terminar a primeira licenciatura de Medicina Veterinária da UTAD. Um dos aspetos fundamentais do sucesso da sua formação prende-se com a qualidade dos professores com quem lidou. “Era um curso em iniciação e os docentes estavam muito motivados e empenhados. Sentia-se que éramos quase todos alunos, que fazíamos um percurso de aprendizagem e isso foi uma grande lição de humanidade.”
 
Do leque de docentes de Medicina Veterinária, Luís Montenegro destaca a importância dos conselhos que recebeu de dois deles. “Evidencio a influência da professora Maria dos Anjos, que sendo da Bila e, na época, recém-licenciada pela Técnica em Lisboa, me ajudou a tomar a assertiva decisão de optar pelo curso. A decisão de optar pela área da clínica dos animais de companhia devo-a ao professor Augusto Matos que me levou a mudar a minha visão de foco profissional e fez com que tenha desistido de ser veterinário de campo e me tenha dedicado à área em que hoje trabalho.”
 
Hoje, o médico veterinário conserva uma “enorme dívida” para com a UTAD. “Esta Universidade está no meu coração e, por essa razão, tento sempre retribuir com gratidão, sendo seu embaixador e colaborador”, conclui o atual diretor do Hospital Veterinária Montenegro.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto) | Direitos Reservados (fotografia)