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Timothy Koehnen: “Na UTAD, cumpri o meu sonho”

 
 
Uma carreira internacional foi sempre o foco profissional de Tim Koehnen. A felicidade que demonstra, após 26 anos na UTAD, é a prova da decisão acertada que tomou na América.
 
Os olhos azuis e o cabelo claro denunciam a origem de Tim, assim como o seu sotaque inconfundível. Americano, nascido no Estado do Minnesota, sempre quis apostar numa carreira fora do seu continente. De ascendência alemã e dinamarquesa, aprendeu a ver o mundo de forma alargada enquanto alimentava o sonho de cruzar fronteiras, no exercício da docência. “Sempre gostei de geografia e da ideia de viajar. Logo após a licenciatura, estive em trabalho no Brasil. Nessa altura, era voluntário do Corpo da Paz e esses dois anos e meio, em Minas Gerais, abriram-me as portas para poder fazer o mestrado e o doutoramento na Universidade de Illinois”, explica.
 
Tim Koehnen deu aulas no Estado do Arizona e, posteriormente, aceitou o desafio de ir trabalhar para a Nigéria, no International Institute for Tropical Agriculture. Foi durante a sua estadia em África que surgiu o convite para trabalhar no continente europeu, onde ainda hoje permanece como docente no Departamento de Economia, Sociologia e Gestão da UTAD. “Recebi um telex a perguntar se estaria interessado num emprego em Portugal. Tratava-se de um projecto financiado pela Fundação Luso-Americana para o desenvolvimento e eu não tinha como dizer que não. Aceitei a proposta com entusiasmo”, recorda. O projecto foi “muito bem aplicado”, porque havia financiamento para computadores, viagens e até para ajudar a pagar as propinas dos alunos. “Acabámos por criar um curso, talvez o primeiro mestrado em Portugal com a designação de Extensão e Desenvolvimento Rural”, sublinha.
 
Na altura do convite [1988], Tim sabia apenas que Portugal “fazia parte da Península Ibérica, que pertencia à Europa e que a língua era o Português, que já conhecia do Brasil”. Apesar disso, a integração fez-se com facilidade, muito por culpa dos colegas que integravam o projecto. “Fernando Real era o reitor, uma pessoa muito dinâmica, e o seu apoio foi sensacional. Apresentou-me o professor Artur Cristóvão e disse-me que tinha ali o meu parceiro de trabalho, por quem fui muito bem recebido. A relação profissional era óptima e ainda tive o prazer de ser convidado para festas de família e jantares com amigos”, relembra.
 
Para além das relações de amizade que Tim criou, a atmosfera da UTAD foi um factor que, desde o início, o arrebatou. “Conheço muitas universidades mas nenhuma tem este ambiente. Uma pessoa entra aqui e respira bem, dá-se um passeio e sentimo-nos confortáveis. Consegue-se sentir a dinâmica, a perspectiva de tentar fazer melhor, procurar mais, trabalhar como um colectivo”, salienta. E para esse círculo ser mais forte, garante o professor de Gestão, é importante que se olhe para as instituições de Ensino Superior com a ideia de Universo. “Não se pode ter só professores portugueses. Espaços de aprendizagem como este têm de ter uma parcela internacional. A minha contribuição é o que eu trago de outra cultura e poder partilhar isso com os alunos é fantástico”, assegura.
 
Quando chegou a Portugal, Timothy Koehnen viajava sozinho, carregando expectativas e sonhos. Hoje, é pai de sete filhos transmontanos, cinco meninas e dois meninos, e garante que não está nos seus planos trocar Portugal por outro país. “Era importante, para a minha realização profissional, esta passagem pela UTAD, porque sempre quis trabalhar na área internacional. Hoje, estou aqui e isto, para mim, era o sonho”, conclui.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)