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Teresa Lobato: “Fui feliz enquanto estive na UTAD”



Abdicando do sonho de ser educadora de infância, Teresa Lobato abraçou a missão UTAD com apenas 19 anos. Carinhosamente tratada por Teresuca, cumpriu quase quatro décadas de trabalho.

O caso de Teresa Lobato é um exemplo de dedicação à UTAD desde que esta dava os primeiros passos como instituição de Ensino Superior para cá do Marão. Foram 37 anos ao serviço de uma academia que viu crescer e afirmar-se ao longo dos anos, numa ligação que se iniciou por imposição governamental. “Naquela altura, éramos obrigados pelo Estado a fazer um ano de interrupção antes de entrar na Universidade. A minha ideia era seguir os estudos em Viana do Castelo, tirando um curso em Educação de Infância, mas acabou por não se cumprir esse desígnio.”

Começou, então, uma carreira no IPVR como “jornaleira”, termo que designava os funcionários pagos no final de cada dia de trabalho. Recebia 250 escudos por jornada, o que se traduzia em cinco contos (25€) por mês, valores “razoáveis” para uma “rapariga solteira”. Inicialmente, fazia um pouco de tudo nos serviços de documentação, onde havia apenas “raparigas novas” que ajudaram à sua integração.
 
Fruto da irreverência da idade, surgiam amiúde algumas brincadeiras que pautavam o dia a dia do seu ofício, situação nem sempre tolerada pelo chefe de então, Brito de Carvalho. “Éramos levadas do diabo, porque gostávamos de fazer muitas malandragens. Comigo era uma desgraça porque, sempre que havia reparos, a culpa caía na Teresuca, talvez por ser a mais nova.” Contudo, o trabalho fluía de forma exemplar e a atmosfera que se vivia era de grande união e responsabilidade. Respeitava-se a máxima de “um por todos e todos por um” e isso garantia que o departamento funcionava em pleno. “Éramos uma família muito pequena e unida. Tirávamos fotocópias, escrevíamos à máquina, limpávamos os livros e cheguei a fazer a contabilidade. Aprendíamos o nosso serviço e o dos colegas para a máquina nunca parar”, explica.

Teresa e as colegas eram da mesma idade de muitos estudantes, o que dava azo a algumas brincadeiras inusitadas. “Havia apenas 34 alunos dos cursos de Agrícola, Florestal e Zootecnia. Alguns deles eram atrevidos e pediam livros das estantes mais altas para poderem ver as pernas das funcionárias. A forma de retaliar essa ousadia era carimbando-lhes as calças quando estavam distraídos.”

Teresa abandonou as suas funções nos serviços de documentação e passou para a repartição pedagógica, onde lidou com muitos alunos que, na altura, prestavam provas de mestrado ou de doutoramento. Muito “brincalhona”, Teresa usava a boa disposição que a caracteriza para acalmar os nervos dos alunos. “Era um trabalho de bastidores muito importante e tenho a certeza que era meio caminho andado para que as coisas corressem bem. Naqueles momentos de ansiedade, o importante era fazer com que os meus meninos não se sentissem sozinhos”, refere.

Reformada desde janeiro de 2014, Teresa Lobato confidencia que os melhores momentos foram vividos no início da sua carreira, pois “havia piores condições mas tudo era mais genuíno, com mais camaradagem”. “Fui feliz no tempo em que estive na UTAD e conheci pessoas impecáveis. Passei lá a maior parte da minha vida e olho para a Universidade como uma instituição que me fez crescer e que sempre testemunhou aquilo que sou: a Teresuca”, sublinha. 

Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)