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Ribau Esteves: “A UTAD é um pilar basilar”



Conhecido pela carreira de edil, em Ílhavo e em Aveiro, José Ribau Esteves confessa que as aprendizagens na UTAD foram a base para a liderança e gestão autárquica.
 
Quando José Ribau Esteves tomou a decisão de se licenciar em Engenharia Zootécnica sabia, à partida, que o podia fazer em Vila Real, em Évora ou nos Açores. A escolha pendeu sobre a terra dos covilhetes pelos conhecimentos favoráveis que obteve sobre o curso e sobre a academia transmontana. “Antes da ida para a UTAD conhecia muito pouco de Vila Real. A minha opção foi condicionada pela geografia e pela cultura, acrescida das informações de que o curso de Engenharia Zootécnica na UTAD tinha a qualidade que eu pretendia”, revela.
 
Os primeiros tempos foram algo conturbados e as sensações iniciais não foram as mais auspiciosas. “Foi tudo difícil e estranho naquele primeiro dia. Fui com a minha mãe, numa viagem de carro que demorou quatro horas. As velhas instalações do antigo DRM, a dificuldade enorme em arranjar quarto e a longa e penosa viagem pelo Marão acima não causaram a melhor das impressões”, lembra. Apesar de tudo, valeram-lhe os colegas, “caloiros e antigos”, com quem se identificou e que facilitaram a sua integração. Ribau Esteves acabou por encaixar perfeitamente numa nova realidade também por culpa de professores “notáveis” com quem teve o privilégio de trabalhar. Dos inúmeros docentes que, em múltiplos aspectos, o marcaram de forma “muito positiva”, Ribau Esteves destaca os nomes de Mascarenhas Ferreira, Virgílio Alves, Arnaldo Dias-da-Silva, Fontaínhas Fernandes e Artur Cristóvão, entre outros, pelas “competências técnicas e humanas”.
 
O actual autarca de Aveiro foi também o primeiro presidente da Associação Académica da UTAD. Nessa condição, trabalhou de perto com diversos reitores como Fernando Real, Lima Pereira, Luíz Sampayo ou Torres Pereira. Com todos eles “aprendeu e cresceu muito”, mas o que mais o impressionou, por ser “uma verdadeira força da Natureza e um dos grandes obreiros da UTAD”, foi o reitor Fernando Real.
 
José Ribau Esteves conduziu os destinos da AAUTAD entre 1988 e 1990, tendo sido o mentor da Semana do Caloiro e da Latada. Em paralelo, criou um novo modelo de Semana Académica, que envolvia mais os alunos e que estreitava as relações com a população da cidade de Vila Real. Na memória, ficou-lhe cravada a primeira Latada, em 1988. “Mobilizámos todos os caloiros com uma campanha que fiz turma a turma. Saímos da Quinta de Prados e fomos pelas principais artérias da cidade ao final da tarde, criando um autêntico caos, com uma enorme festa que a todos alegrou e marcou.” Já naquela altura, as peripécias académicas eram muitas, férteis e imaginativas. Ribau Esteves recorda especificamente o dia do concerto dos GNR em época de Semana Académica. “Era um domingo e, a certa altura, acabaram os copos de plástico onde servíamos a cerveja. Arranjámos rapidamente um grupo de caloiros para apanhar os copos usados do chão, fazer a devida lavagem, embora ligeira, e a sua reutilização, salvando assim a honra ao bar do concerto.”
 
Num olhar de retrospectiva, Ribau Esteves não esconde as saudades e considera a UTAD um dos seus “pilares basilares de formação como técnico, político e homem”. “A nossa Universidade tem sempre um lugar especial na nossa mente e no nosso coração. Por isso, a UTAD é uma das minhas casas de vida”, remata.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto) | Direitos Reservados (fotografia)