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Mécia Mourão: "Tenho muito gosto em trabalhar na UTAD"



A caminho de cumprir quatro décadas na UTAD, Mécia Mourão continua a trabalhar na secretaria do departamento de Zootecnia com o mesmo afinco e orgulho do primeiro dia.
“De vez em quando, há um ponto morto e isso aborrece-me. Eu gosto é de estar a trabalhar”, afirma Mécia Mourão, a secretária veterana de Zootecnia. Nunca se deixou intimidar pelo volume de expediente, pelos adventos tecnológicos, pela rotina das tarefas. “Sempre gostei destas funções, por isso é que o meu curso era de secretariado e relações públicas. Quem trabalha por gosto não se cansa.”
Tinha 21 anos quando veio para o Politécnico de Vila Real, mas já antes tinha tentado a sua sorte. Ao concurso, que incluiu as inevitáveis provas de datilografia, compareceu “muita gente”. “Fiquei nos primeiros lugares, mas não fui chamada”, recorda. Seguir-se-ia uma breve passagem pelo Governo Civil até que pisasse, pela primeira vez, a secretaria de Zootecnia. “Ligaram-me numa sexta-feira para me apresentar ao serviço na segunda-feira. Fui recebida pelo professor Orlando Almeida, o meu chefe de departamento.”
Com o IPVR em funcionamento, Mécia viu uma evolução abismal da sua cidade natal. “Não tínhamos quase nada e passámos a ter quase tudo. A maioria das pessoas gostava de trabalhar aqui, porque uma universidade em Vila Real era um bocadinho fora do normal”, sublinha.
Mécia ocupou-se das lides administrativas e, ainda hoje, mesmo ao lado da sua secretária, conserva uma aliada incondicional. “Nunca deixei abatê-la porque é uma máquina manual e foi a minha primeira.” Apesar das frieiras nas pontas dos dedos, tinha de pressionar as “teclas pesadíssimas” para dar vazão às incumbências. “Aquilo calejou-me de tal forma que as frieiras nunca mais vieram”, conta.
A produtividade também era estimulada pelo ambiente de trabalho saudável. “São bons colegas e nunca tivemos problemas. Acho que é um dos departamentos que melhor se entende na Universidade e orgulho-me disso. Tenho muito gosto em trabalhar aqui”, admite.
Mécia fez longas maratonas a datilografar ofícios, informações, circulares, provas de aptidão científico-pedagógica e teses. “Na altura, os docentes eram muito novos e a maioria não tinha doutoramento. Fiz muito trabalhinho aqui, fora de horas, e em minha casa.”
Noite fora, o embate das teclas contra a fragilidade do papel era, por vezes, entrecortado pela voz que ditava. Caso contrário, restava-lhe olhar para os rascunhos e retomar a concentração ao teclado. Decifrar os escritos era “muito fácil”, porque a letra era “legível, parecia desenhada”. A força do hábito fazia com que uma folha A4, por exemplo, lhe demorasse menos de dez minutos.
O mais penoso foi datilografar uma tese fértil em dados estatísticos. “Tinha de trocar umas esferazinhas para cada tipo de letra e perdia-se muito tempo. Uma folha na qual uma equação tivesse um número errado tinha de se refazer. Essa tese deu-me água pela barba.”
Entregue o resultado de tanto esforço e dedicação, o nome de Mécia constava na página dos agradecimentos e, posteriomente, ainda recebia umas palavras carinhosas de reconhecimento.
O modus operandi da secretária refletiu as revoluções tecnológicas. Da velhinha e inestimável máquina de escrever passou para o computador, o e-mail substituiu o fax. “A maioria das coisas aprendi por mim própria, porque no início não tínhamos formação. Tanto que comecei a trabalhar com o computador sem saber nada.” Os 36 anos de serviço permitem-lhe apontar, com propriedade, o requisito para um bom desempenho profissional: “o essencial é a compreensão mútua, ou seja, entendermo-nos todos muito bem”. “Se tudo trabalhar para o mesmo, corre tudo bem”, remata.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)