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Maria de Fátima Costa, a funcionária inveterada da UTAD



“Sempre me preocupei em fazer bem o meu trabalho e o melhor que pude, em ser útil às pessoas, em dar-me bem com os colegas e superiores e estar lá no momento em que precisam”, afirma Maria de Fátima Costa, assistente técnica do Laboratório de Solos e Plantas, após quatro décadas vividas na UTAD.

 
Atravessar a soleira da porta daquele departamento é pisar um microcosmos de batas imaculadas que manuseiam equipamentos e amostras, que alcançam resultados e que sabem partilhar risos e inquietações. “Quando preciso de algo, nem preciso de pedir. Basta um olhar e eles perguntam logo o que preciso. São pessoas impecáveis”, revela Maria de Fátima, 65 anos.
 
Focada nos tabuleiros com 30 amostras de solos, Maria de Fátima reconhece que quando o trabalho aperta, se intensifica a entreajuda e se multiplicam os esforços, “mas no fim do dia está tudo feito e é uma maravilha”. “Muitas vezes, entro e saio a cantar do meu local de trabalho”, acrescenta. 
 
Por recomendação de uma amiga que trabalhava no IPVR, Maria de Fátima submeteu um requerimento à comissão instaladora que lhe valeria não só emprego como o amor da sua vida. Começou por fazer “um pouco de tudo”, arranjava as salas de aulas, fazia limpezas. “No ex-DRM, ao lavar o chão de madeira, deitei um bocadinho mais de água, pingou para as panelas que estavam no andar de baixo e estraguei o arroz de bacalhau aos soldados”, recorda.
 
Acabaria por ser contratada pelo Laboratório de Solos e Plantas, onde foi aprendendo com os colegas mais velhos. A disponibilidade para saber sempre mais e a curiosidade insaciável fizeram com que chegasse ao topo da carreira “a pulso”. “Foi uma aprendizagem constante, com muito carinho e dedicação e o meu chefe sempre a apoiar-me.” Apesar dos seus progenitores trabalharem no campo e de sempre ter gostado de plantas e animais, Maria de Fátima nunca pensou que “da terra se fizessem tantos trabalhos e saísse tanta ciência”.
 
Análises dos solos, das águas de rega e de todas as espécies de plantas são serviços prestados pelo Laboratório onde Maria de Fátima passa os dias a exigir tudo de si. “Admito fazer tudo direitinho e se erro qualquer coisa, fico danada. Ainda hoje, não posso estar parada. Por isso, se não tiver trabalho para fazer, tenho de arranjar, nem que seja ir lavar material ou ajudar alguém.” O Laboratório contribui para a sustentabilidade e rentabilidade das produções agrícolas, melhorando as propriedades do solo e a produtividade das culturas. Há clientes que vêm de todo o País, mas também chegam solicitações de Angola ou da Roménia.
 
Por causa do ambiente de trabalho, Maria de Fátima não se imaginaria a trocar de departamento. “O que me dá mais orgulho é darmo-nos bem, quer colegas, quer com o chefe, quer com outros professores. Fico contente quando chego ao fim do dia ou da semana e vejo que o meu trabalho está feito e é reconhecido.”
 
Maria de Fátima é a funcionária, no ativo, com mais anos de serviço, um estatuto que a deixa “muito orgulhosa”. “Sinto-me feliz porque estou cá e continuo a trabalhar. Já vi sair muitos estagiários, professores, colegas do meu tempo e eu hei de ir para o ano.” É certo que lhe vai fazer falta “a dinâmica do trabalho”, o carinho e o companheirismo dos colegas, mas Maria de Fátima sabe que “tudo tem um princípio, um meio e um fim”. Por isso, antecipa também uma resolução para enfrentar esses tempos: “vou ver se estudo Ciências da Natureza, História e Informática na Universidade Sénior”.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)