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Maria José Almeida, a “governanta” de uma grande casa



A funcionária n.º 78 conhece bem os cantos à UTAD e a sua célere evolução. Quase todas as aquisições e vendas são processadas no Economato, organismo onde é, atualmente, coordenadora.
 
À lembrança de Maria José Almeida emerge o cenário do “pouco ou nada” que encontrou nos primórdios da academia transmontana. “Essa evolução é uma coisa que eu gosto de recordar. Quem agora vê a UTAD, com todos estes edifícios, não faz a mínima ideia que era um sítio onde estavam feijões, favas e batatas. Ninguém imaginará, hoje em dia, que não havia estradas asfaltadas. Era tudo lama e vínhamos de jipe porque era a única maneira de cá chegar.”
 
Antes de chegar a Vila Real, Maria José teve de abandonar Mogofores (no concelho de Anadia), a terra que a viu nascer, e pisar o continente africano em busca de uma vida melhor. Aos 21 anos, regressou a Portugal à procura de trabalho como funcionária administrativa, função que tinha desempenhado na Missão de Extensão Rural de Angola. Depois de saber que poderia haver uma vaga com o seu perfil, candidatou-se a um lugar no IPVR.
 
A adaptação a Vila Real aconteceu com naturalidade por ter encontrado pessoas “muito acolhedoras e simpáticas”. Mais difícil foi garantir um quarto, uma vez que a cidade não estava preparada para a torrente de professores, alunos e funcionários que rapidamente ocuparam o alojamento disponível. “Consegui, com dificuldade, um quarto onde dormia, cozinhava e estendia a roupa. Era uma pobreza. Casas, na altura, não havia e as que havia eram muito caras, longe do que o nosso salário permitia”, recorda.
 
Maria José foi a 78ª pessoa a ter vínculo laboral com a instituição. Por serem tão poucos, conseguiu uma boa e rápida integração. “Isto era pequenino e todos nos conhecíamos. Éramos uma família. Quando cheguei, em agosto de 1976, vim para a Zootecnia e na Quinta de Prados ainda não havia nada disto, apenas o «Pedrinhas».” Nesses tempos, Maria José apoiava os docentes e fazia trabalho de datilografia. “Não havia mais nada para fazer naquele gabinete tão pequenininho e a instalação elétrica era tão fraca que não dava sequer para dar cor a um aquecedor de barras”.
 
Depois dessas funções de secretariado, Maria José solicitou uma mudança. Foi, então, colocada no Economato, onde ainda hoje é coordenadora. Ali se fazem quase todas as compras para a Universidade e processam-se os concursos públicos e os procedimentos para aquisição dos mais variados bens, “desde a palha e o feno até aos equipamentos mais sofisticados”. Os produtos mais comprados, “por serem sempre necessários”, são reagentes, gases de laboratório, medicamentos para o hospital veterinário, material informático e empreitadas, como, por exemplo, edifícios. Apesar de não ser tão usual, na UTAD também se processam algumas vendas, essencialmente de gado (vacas, cabras e ovelhas).
 
Aos 61 anos, Maria José executa com toda a destreza as tarefas que lhe estão incumbidas. O expediente implica atender “muitas pessoas” por telefone ou por email, aprovar os procedimentos feitos pelos colegas e analisar todos os documentos até haver um contrato. “Como coordenadora, dou apoio no que for preciso, sejam atas, respostas aos possíveis concorrentes sobre dúvidas que tenham e correções de erros ou omissões que possam surgir”, sublinha.
 
Maria José agarra-se à certeza de que a dedicação que tem e que sempre teve ao trabalho é o pilar de quase quatro décadas de ligação à UTAD. “Esta academia representa quase a minha casa. É um emprego que tenho há 38 anos e isso já diz tudo.”
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)