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Joaquim Pereira: “Somos uma extensão da própria família”



Passados 20 anos ao serviço da UTAD, Joaquim Pereira continua a sentir o mesmo espírito de missão do primeiro dia em que assumiu funções nos Serviços de Ação Social.

 
“De alguma forma, todos os alunos passam por nós, porque nos encarregamos dos seus processos. Às vezes, vou pela cidade e quase os conheço a todos. Aqueles que se candidatavam a bolsa ficavam na minha memória e, por vezes, até me lembro da sua terra de origem”, afirma Joaquim Pereira, enquanto folheia o último processo a dar entrada no serviço.
 
Tratar os alunos de forma individualizada sempre foi prática do seu departamento, por isso, não é de estranhar que Joaquim e os colegas sejam entusiasticamente saudados por antigos alunos. “Quando voltam a Vila Real, muitos deles fazem questão de vir aqui, à divisão de apoio ao aluno, visitar-nos. O afeto repete-se em relação aos cozinheiros, às senhoras das cantinas e das residências. São sempre ocasiões especiais que nos transportam para um passado recente cheio de bons momentos.”
 
Ao fim de duas décadas nestas funções, Joaquim Pereira recorda os primeiros tempos e uma figura marcante. “Quando entrei, o reitor era o Dr. Torres Pereira, um homem com uma sensibilidade muito própria. Chamava-me a mim e ao Eng.º Rui Santos, na altura presidente da Associação Académica, para discutirmos situações concretas de alguns alunos. Num universo de milhares de alunos, ele tratava cada caso de forma particular e fazia todos os possíveis para que, em conjunto, pudéssemos solucionar cada processo.”
 
Ao longo dos anos, Joaquim Pereira foi-se deparando com algumas situações “mais exigentes” e “mais trabalhosas”, mas que no final são também “as mais compensadoras”. “Os casos de sucesso mais óbvios são os dos alunos tetraplégicos ou paraplégicos. Posso dar como exemplo o caso do Márcio Martins, que estudou Engenharia de Reabilitação e já tirou o mestrado. Foi uma situação complicadíssima porque precisava de apoio a 100% e de forma permanente. Precisava de ajuda para se vestir, para se levantar e para ir para as aulas. Nem se imagina a nossa felicidade quando o vimos sair da UTAD, cheio de sucesso e com a formação que sempre ambicionou”, revela.
 
Apesar do “contexto de crise”, Joaquim Pereira não considera que o paradigma tenha sido alterado. “A percentagem dos alunos que recorre aos nossos serviços permanece quase a mesma. Se continuam a chegar à Universidade, é natural que continuem a chegar até nós.” Portanto, continuam a existir várias ferramentas de apoio para dar resposta às necessidades. Para além das bolsas de estudo, os alunos podem ajudar nas cantinas ou na portaria. Há estudantes que optam por fazer digitalização de documentos ou ajudar na receção a congressos e outros que vão ser contratados pelo Museu de Geologia.
 
Para Joaquim Pereira o mais importante é garantir que as famílias tenham condições financeiras para enviarem os filhos para o Ensino Superior. “O nosso único medo é que os alunos não cheguem sequer aos nossos serviços. Desde que cheguem, eles acabarão por progredir. Aqui, sempre tiveram esse apoio e sempre continuarão a ter”, conclui.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)