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Hermínio Botelho: “A UTAD deu-me muito e devo-lhe tudo”



 
Hermínio Botelho formou-se em Florestal e o foco das suas investigações foram os fogos florestais, matéria sobre a qual desenvolveu inúmeros projetos nacionais e internacionais.
 
Foram 26 os anos que, por entre aulas e investigações, Hermínio Botelho dedicou à academia transmontana. O primeiro contacto aconteceu em 1976, depois de uma curta experiência em Engenharia de Electrotecnia e Máquinas. “Eu costumo dizer que a sorte faz-se e o azar acontece. A sorte não foi só o meu esforço ao fazer o curso de Engenharia Florestal, mas o facto da UTAD ter nascido em Vila Real no momento certo para mim. Apesar de já estar adiantado no curso do Porto, confesso que não era propriamente aquilo que queria fazer.”
 
A tropa e a guerra colonial forçaram-no a interromper a formação académica e, no regresso a Portugal, Hermínio Botelho decidiu rumar à sua terra natal, onde uma instituição de Ensino Superior dava os primeiros passos. Era, por isso, natural que os cursos tivessem poucos alunos, o que favorecia um ambiente de grande familiaridade e cumplicidade. “Encontrei uma turma de apenas cinco alunos, composta por jovens mais novos do que eu, mas muito motivados. Foi-nos dada uma oportunidade única, porque contámos com professores que vinham de Angola e Moçambique, todos muito ligados à investigação e habituados a um trabalho mais prático nestas questões florestais.”
 
Enquanto estudava, Hermínio Botelho trabalhava, também, como professor do Ensino Preparatório, porém, isso não invalidava que participasse em todas as atividades de campo que o plano curricular proporcionava. “Saíamos todos os dias numa carrinha e tínhamos aulas praticamente no campo. Havia professores que nos acompanhavam, nomeadamente o de solos, o de geologia e o de exploração florestal. Dessa forma, corremos toda a região e uma grande parte do País”, recorda.
 
Foi já em 1982 que Hermínio Botelho se aproximou da área de estudo que mais o apaixonou durante a sua carreira académica: os fogos florestais. Um interesse explorado com a supervisão do professor Francisco Castro Rego, “uma pessoa que teve muita importância na minha carreira de investigação”, admite o agora Professor Emérito. “Nessa altura, comecei verdadeiramente a meter a mão no fogo. Fizemos variados fogos controlados na região do Minho e posso dizer que foi aí que comecei a «queimar» a minha vida e as minhas pestanas, até me ter aposentado em 2010”, acrescenta. Pelo meio, Hermínio Botelho fez várias formações nos Estados Unidos da América, passando, entre outros, pelo Estado de Idaho, onde se interessou por uma especialização em Ecologia do Fogo.
 
Foi ao lado de “um painel de excelentes investigadores, com crédito nacional e internacional” que trabalhou e foi com eles que desenvolveu imensos projetos na área florestal, chegando mesmo a trabalhar com o Ministério do Ambiente e a fazer a legislação para o Governo, no que diz respeito à utilização do fogo controlado e do contrafogo. O nome de Hermínio Botelho ficará ainda associado ao pioneirismo internacional da UTAD na investigação dos incêndios florestais.
 
Atualmente, a sua ligação à UTAD é esporádica, pela sua condição de Professor Emérito, mas não abdica de fazer visitas regulares ao campus para se inteirar dos projetos, dos trabalhos e dos artigos científicos que são desenvolvidos na área que sempre se dedicou. Também por isso Hermínio Botelho conhece bem as alterações que a instituição sofreu e destaca a visão do novo Reitor para que seja possível “dar o salto” que se anuncia. “Temos de fazer uma síntese a Norte, saber o que existe e perceber quais as valências que tem cada uma das instituições de Ensino Superior. A nossa universidade foi muito importante para o Douro, para a floresta, para a agricultura e para a pecuária. Eu acredito que é importante a UTAD ter de novo esse papel, principalmente na área do ambiente e das florestas”, conclui.
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)