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Caroline Dominguez: “A UTAD significa desafio”



Tem pátria na Argentina, mas o mundo é a sua casa. Fala vários idiomas e já viveu em múltiplos países. Ensina Gestão, comprometida com o futuro dos seus alunos.
 
Antes de se tornar docente exclusiva da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Caroline Dominguez já havia percorrido muitas milhas, conhecendo diferentes latitudes. “Na prática docente, vou sempre buscar exemplos que vivi e experimentei em outros contextos e isso é único. Na UTAD é onde eu me posso realizar, onde posso empreender coisas novas, onde posso dar o meu contributo para formar jovens com futuro”, sublinha.
 
Nascida na Argentina, há cinco décadas, acabaria por mudar-se da terra do tango para o país dos perfumes e da cidade luz. “Eu sou e sinto-me argentina, mas já estou na Europa há muito tempo. Com dez anos, deixei a cidade de Mendoza, perto dos Andes, e parti para a terra da minha mãe”, conta. Concluído o ensino secundário, partiu para Wisconsin (EUA) para participar num programa de intercâmbio intercultural, que consistiu em viver durante um ano numa família de acolhimento e frequentar a escola, tendo a oportunidade de ganhar outras competências.
 
De regresso a França, Caroline licenciou-se em Engenharia Comercial, cujos estágios a conduziram a outras paragens ainda mais longínquas. Polónia, Brasil, Espanha e Perú foram alguns dos países escolhidos, nos quais granjeou “muito conhecimento e aprendizagem de outras culturas”.
 
Seguiu-se um mestrado na Sorbonne e um doutoramento na Universidade de Toulouse Le Mirail, desta vez na área empresarial, estudando as relações das multinacionais tabaqueiras com os seus fornecedores.
 
Por ter palmilhado terras tão remotas não surpreende que, hoje, Caroline fale várias línguas. Domina português, francês, espanhol, inglês, alemão e compreende italiano pelo facto de a sua avó paterna ser de origem transalpina. Atualmente, Caroline leciona na UTAD, onde faz questão de levar, para as salas de aula, tudo aquilo que o mundo lhe foi oferecendo à sua passagem. “O que eu trago das minhas experiências e da minha formação pode contribuir para a aprendizagem dos alunos, porque eu estou em permanente partilha.”
 
Do outro lado, Caroline tem alunos “muito interessados, muito colaborativos e responsáveis pela sua formação”, fatores que a motivam a empenhar-se cada vez mais em todo o processo educativo. “A UTAD significa desafio e cada turma é um novo projeto. O que somos e o que vamos ser, enquanto sociedade, depende da educação que recebemos. Tenho a noção de que o papel dos docentes é, por isso, essencial”, defende.
 
Caroline encara a instituição onde trabalha, desde 1999, como a força motriz da região onde está inserida. “A UTAD é um pólo muito importante e enche-me de orgulho pertencer a uma organização que pretende contribuir para o desenvolvimento da região e do País.” Contudo, nos primórdios, notou o parco envolvimento que havia entre o meio académico e o empresarial. “Havia algum alheamento e tenho tentado contribuir para colmatar isso, estreitando relações com empresas. Apesar disso, a UTAD deu-me sempre possibilidade de ter os mesmos meios que poderia ter tido noutras universidades de outros países.”
 
Voltada desde sempre para as Artes, a professora de Gestão sonha com o dia em que verá na UTAD o pulsar cultural que vivenciou noutras academias. “Nos EUA, havia universidades que atraíam alunos por terem uma orquestra sinfónica. Eu imagino a UTAD como um lugar sempre cheio de música, com exposições e conferências, convívios com autores, cineastas, artistas plásticos e músicos. Um verdadeiro espaço cultural e de cultura, universal, como deve ser qualquer Universidade.”
 
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)