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Arnaldo Dias da Silva, um defensor acérrimo da Zootecnia



O Professor Emérito da UTAD chegou a Vila Real quando os sonhos eram um imperativo a cumprir e tudo era improvisado, mas feito com a maior das responsabilidades.
 
Arnaldo Dias da Silva é uma das figuras incontornáveis da história da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, não só pelo que representa para a instituição, mas também pelo seu contributo para o crescimento da Zootecnia. O último reconhecimento da academia pelos seus préstimos aconteceu a 19 de novembro de 2015, dia em que foi inaugurada uma Unidade Experimental de Nutrição com o seu nome.
 
Oriundo de Vila do Conde, este “Bravo do Mindelo” nunca havia visitado Vila Real antes de 1975. Veio lecionar para a academia transmontana após cumprir 10 meses como assistente estagiário no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Dos primeiros tempos, recorda o entusiasmo, o empenho sério, os edifícios “de recurso”, as aulas improváveis e também algumas batalhas que se travaram numa época em que os meios eram escassos. “Em boa verdade, não havia quase nada para podermos desenvolver Ensino Superior técnico, fosse de que tipo fosse, ainda  que, dizia-se, estivesse tudo em formação acelerada.”
 
Havia apenas três cursos em funcionamento no então IPVR – Agronomia, Produção Florestal e Produção Animal – e as aulas eram ministradas em “condições verdadeiramente improvisadas e improváveis” no Quartel dos Bombeiros da Cruz Verde. Existiam poucos gabinetes e as prateleiras e armários que havia não chegavam para albergar todos os livros. “Trabalhava-se como se podia e havia muita paciência. Ainda assim, acreditávamos que, talvez, um pouco mais tarde, viéssemos a ter construções definitivas. Tivemo-las e eu tive o prazer de estar presente em todas as suas inaugurações”, revela. Apesar de tantas limitações, o antigo docente não esconde “as saudades desse tempo e daquelas gentes”, porque “nessa altura tudo era possível”.
 
Para Arnaldo Dias da Silva, uma das grandes mudanças na vida académica deu-se no momento da compra da Quinta de Prados. “Foi um episódio que legitimamente me envaidece. Numa manhã fria de um sábado, em Vila Pouca de Aguiar, estava sentado num café com o professor Real e com o professor Torres Pereira, quando assinámos o cheque da compra da Quinta de Prados. Estava ganha uma batalha decisiva.” É precisamente do reitor Fernando Real, “o grande obreiro da UTAD”, que guarda algumas das melhores recordações. “Foi um grande homem que teve um papel transcendente nas transformações que aconteceram nesses tempos. Era insuperável em energia e visão”, sublinha.
 
Aos 69 anos, Arnaldo Dias da Silva encara o futuro da academia transmontana com bastante otimismo sem, no entanto, deixar algumas recomendações. “A UTAD tem de mudar, precisa de mudar. Sou um zootecnista, presidente honorário da respetiva Ordem, e há mudanças que não posso nem devo calar devido à minha formação de base que é a Agronomia.  Entendo que, de um modo geral, tem de ser dada mais ênfase à biotecnologia aplicada, quer à produção animal, quer à produção vegetal.”
 
O Professor Catedrático Emérito da UTAD reconhece a importância crescente do setor do vinho, mas sugere que se olhe com igual atenção para “o campo agrícola, o azeite, a castanha e os castanheiros, as frutas e seus derivados, bem como para a floresta”.
Ligado à instituição por 34 anos, Arnaldo Dias da Silva sustenta que é inquestionável que a missão da UTAD passa por se diversificar, conseguindo, ao mesmo tempo, valorizar-se enquanto estabelecimento de Ensino Superior.
 
Texto: Daniel Faiões e Patrícia Posse
Fotografia: Setor de fotografia da UTAD