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Aldina Teixeira, a guardiã da confiança reitoral



Os 36 anos de trabalho votados à academia transmontana são sinónimo de uma felicidade intransmissível. Aldina Teixeira, que datilografou os primeiros estatutos da UTAD, deu apoio a seis reitores.
 
O nome de Aldina Teixeira ainda faz eco na reitoria, pelo seu profissionalismo, disponibilidade e atitude zelosa. “Tenho em memória que, realmente, os reitores gostavam de mim e eu deles. Era uma família, um intercâmbio que funcionou muito bem.” As tarefas eram tão aliciantes que Aldina passava o fim de semana “ansiosa por vir trabalhar”. “Eu e o administrador Miguel Rodrigues fomos um dos pilares a dar apoio a todos os reitores. Ajudámos a erguer esta casa.”
 
Submetido o requerimento, Aldina foi convocada para uma prova de conhecimentos. “Puseram-me uma máquina de escrever com teclado nacional, daquelas muito antigas, enquanto as outras candidatas levavam máquinas de casa. Habituada a uma máquina eletrónica que tinha em Luanda, olhei para aquele mamarracho e disse: «Aldina, tu faz o que puderes».” Após “um ataque de nervos”, alinhou a folha de papel e começou a transcrever um requerimento em alemão e outro em português. “Acabei a prova rapidíssimo e até fui das primeiras a sair do Arquivo Distrital”, conta.
 
A 10 de março de 1977, assinalava uma nova etapa profissional. “Fui escolhida para trabalhar na direção e não tive qualquer problema de adaptação, porque já vinha de Angola com alguma experiência.” Os colegas receberam-na “lindamente” e, dali, nasceram grandes amizades. “Trabalhei muito, é certo, mas vivi estes 36 anos feliz.”
 
Aldina começou por elaborar e datilografar o caderno de encargos do primeiro edifício de Geociências, assim como as atas das reuniões. Quase todo o expediente lhe passava pelas mãos, hábeis e velozes sobre as teclas da máquina de escrever. “As minhas colegas pediam-me: «bate-me isto num instante, que eu demoro mais tempo e contigo é cinco minutos».”
 
Às funções de secretariado juntaram-se outras responsabilidades, como o acompanhamento de doutoramentos Honoris Causa, de eventos nacionais e internacionais, das reuniões do Conselho Científico que aconteciam aos sábados. Aldina datilografou os primeiros estatutos da Universidade, presenciou a abertura dos concursos dos edifícios e a sua inauguração, encarregando-se dos convites. “Sentia-me muito alegre, dinâmica, radiante da vida. Estava sempre pronta para tudo e com um sorriso para todos.”
 
No papel de relações públicas, Aldina contactava com jornalistas, acolhia presidentes e ministros. Chegava até a socorrê-los, batendo de emergência os seus discursos. “Quando Cavaco Silva ou Pinto Balsemão estavam na mesa, dizia-lhes, ao ouvido, que tinham recebido uma mensagem e entregava-lhe o papelinho”, acrescenta Aldina, recordando ainda a delicadeza de Jorge Sampaio a quem serviu um café na reitoria.
 
Aos 65 anos, Aldina orgulha-se da boa memória que lhe permitia saber o nome completo de 300 pessoas e as respetivas categorias. Recorda ainda o momento em que o reitor Torres Pereira lhe ofereceu uma máquina de escrever eletrónica “das melhores” e uma cadeira ergonómica ou quando o reitor Fernando Real quis saber a sua opinião acerca do convite que havia recebido para vir a ser Ministro do Ambiente. “Perguntou-me se achava que ele ainda tinha idade para desempenhar esse cargo. «Responda-me com sinceridade!» e eu disse-lhe: «senhor professor, trabalhador como é, despachado e inteligente, não interessa a idade».” Mais tarde, convidou Aldina para ser sua secretária, o que “foi uma honra”, mas foi declinado por razões familiares. Houve outras solicitações para trabalhar em Lisboa, mas em vão. “Adorava tudo o que fazia, gostava das pessoas com quem trabalhava e sentia-me realizada.”
 
Aldina reformou-se na primavera de 2013 e de todas as recordações desse tempo sobram as saudades. “A UTAD é um jardim em flor, semeada por todos nós. Espero que continue a crescer para recordar como fui feliz nesta Universidade.”
Daniel Faiões e Patrícia Posse (texto e fotografia)