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Violência conjugal com escassez de respostas nos meios rurais

​A conclusão é de um estudo de mestrado realizado na UTAD e que pretendeu conhecer os apoios e garantias dados às mulheres vitimas.
A eficácia das redes de apoio às vítimas de violência conjugal foi alvo de um estudo realizado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no âmbito do mestrado em Serviço Social, o qual pretendeu não só conhecer as garantias e apoios prestados às mulheres vítimas, mas também analisar de que forma os mesmos respondem às necessidades mais prementes de proteção.
 
Este trabalho, intitulado “O apoio às vítimas de violência conjugal: um estudo de caso a partir das representações das vítimas na UMAR do Porto” foi realizado pela jovem investigadora Flávia Isabel Matias da Silva Serra, sob a orientação de Luzia Oca Gonzalez, professora do Departamento de Economia; Sociologia e Gestão da UTAD, e teve especial incidência no acolhimento de mulheres vítimas de violência de género num dos equipamentos de resposta social da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) do Porto. O estudo de caso visou, assim, a análise de processos individuais de mulheres acolhidas na referida estrutura de forma a “compreender que tipo de apoio as mulheres que são vítimas de violência procuram e que resposta lhes é facultada a partir de uma perspetiva feminista, reconhecida como apanágio da intervenção conduzida na UMAR”.
 
Segundo o escrutínio abordado no estudo, as mulheres encontram-se, na maior parte dos casos, “em situações de violência de género pelo domínio e controlo que os seus agressores exercem sobre elas através de variadíssimos mecanismos, tais como o isolamento, o exercício de violência física e psicológica, a intimidação, o domínio económico, entre outros”.
 
Apesar dos vários esforços e equipamentos de resposta, é necessária uma reflexão sobre o funcionamento na prática de algumas estruturas. A partir da abordagem e dos testemunhos obtidos, a investigação conclui que “há falhas no sistema de apoio que, para além da falta de verbas, também enfrenta fracos recursos para sustentarem a sua intervenção”, destacando o facto de “as estruturas de atendimento especializado estarem localizadas, sobretudo, nos centros urbanos e no litoral”.
 
Esta condição é um entrave às pessoas que vivem nos meios rurais e no interior do país, pois sentem-se abandonadas e isoladas. Por isso, segundo Flávia Serra, “a maior parte dessas mulheres sujeita-se a continuar as relações afetivas marcadas por atos violentos”. Mas também, refere ainda, “as estruturas de acolhimento por, algumas vezes, não terem vaga, condicionam a decisão das mulheres em procurarem esta resposta social”.
 
Por fim, reconhece a mesma investigadora, “apesar dos avanços dos últimos anos no combate à violência contra as mulheres em Portugal, fica um longo caminho por andar, e nesse caminho o trabalho social feminista é chamado a contribuir com o seu olhar e sua perspetiva, colocando as mulheres como centro da sua prática empoderadora”.
 
Para mais informação contatar:
Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD
259 350 160 | 932 148 809 | rorebelo@utad.pt