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Reitoria

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António Fontainhas Fernandes
 Reitor
 
 

Discurso de tomada de posse

 
Senhor Ministro da Educação e da Ciência, em representação do senhor Primeiro Ministro
 
Senhor Presidente do Conselho Geral
 
Senhor Reitor que cessou funções, Prof. Carlos Alberto Sequeira
 
Digníssimas Autoridades Civis, Militares e Religiosas já mencionadas
 
Senhores Membros do Conselho Geral
 
Senhores Reitores, Vice-reitores e Pró-reitores das Universidades 
 
Senhores Presidentes dos Institutos Politécnicos 
 
Senhor Presidente da Associação Académica da UTAD
 
Senhores Doutores, Estudantes e Funcionários
 
Ilustres Convidados, Meus estimados amigos
 
Minhas Senhoras e meus Senhores
 

 
 
Num tempo de rara exigência para a sociedade portuguesa, caracterizado por fortes dúvidas e interrogações que não escapam à Universidade, as minhas primeiras palavras dirigem-se necessariamente à academia. São palavras de otimismo realista, e sobretudo, de uma forte e sustentada confiança.
 
Quero distinguir a forma elevada e sábia, como a academia aceitou debater e construir um projeto coletivo, que visa garantir a sustentabilidade da nossa Universidade. A construção de um Projeto de Futuro exige apostar no seu principal ativo: as pessoas.
 
O Futuro exige potenciar a confiança, o talento, a inovação e a atitude empreendedora das pessoas, de forma a podermos ultrapassar as dificuldades que surgem em cada momento.
 
É fundamental criar, desde já, um ambiente de confiança e de responsabilidade, que envolva a academia e todos aqueles que por cá passaram.
 
Agradeço a todos, a presença nesta cerimónia de tomada de posse da nova equipa reitoral, que marca o início de um novo ciclo na afirmação da missão da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
 
Quero expressar uma palavra especial ao Conselho Geral, na pessoa do seu presidente, Dr Silva Peneda, pela confiança depositada ao terem-me eleito reitor. Estou certo, que o futuro será pautado pela confiança e a cooperação entre a Reitoria e o Conselho Geral, tendo sempre em vista o alcance eficaz da missão da Universidade.
 

 
 
Saúdo o senhor reitor que agora cessa funções, Professor Carlos Sequeira, reconhecendo o elevado sentido de exigência e de responsabilidade académica, em tempos particularmente difíceis. Saúdo também a equipa que o acompanhou.
 
Presto a minha homenagem à cidade de Vila Real, e nela, à região do interior norte e suas gentes, do Douro ao Barroso, do Marão a Bragança, que desde tão cedo, colocaram a hospitalidade portuguesa ao dispor da academia.
 
Presto a minha homenagem aos fundadores desta Universidade, aos antigos professores, aos antigos alunos, com os quais contamos neste novo ciclo da instituição.
 
A presença nesta cerimónia, de antigos alunos de reconhecida reputação na sociedade portuguesa, é um bom indicador do importante papel que podem desempenhar na vitalidade e na sustentabilidade da instituição.
 
Contamos convosco!
 

 
 
A situação atual do país está marcada por uma acentuada crise financeira, económica e social, mais uma crise a que não podemos ficar alheios.
 
O percurso de Portugal, na mensagem de Miguel Real, tem sido marcado por ciclos, que entre expectativas e desilusões, entre sucessos momentâneos e o abismo da sua falência, procura uma saída para continuar a existir, resistindo sempre aos desencantos da história.
 
Este cenário obriga as Universidades a uma reflexão sobre o seu futuro, não apenas ao nível da sua sobrevivência individual, mas também sobre o seu papel na recuperação económica e na redução dos desequilíbrios socioeconómicos.
 
Olhando para as últimas décadas após a adesão de Portugal à União Europeia, verifica-se que uma parte relevante dos fundos estruturais, foi aplicada em infraestruturas territoriais e na produção de bens não transacionáveis. A reconversão das atividades tradicionais relacionadas com o setor agrário e a indústria foi reduzida, o que debilitou a competitividade, nacional e internacional, da produção de bens e serviços transacionáveis.
 
A crise financeira de 2008 e as posteriores crises das dívidas soberanas, evidenciaram que o país tem de voltar a centrar a sua atenção, nos setores que permitam ultrapassar desequilíbrios externos, pelo reforço das exportações e substituição de importações, num ambiente de mercado global e aberto.
 

 
 
Indubitavelmente, as Universidades são consideradas um motor chave na mudança do paradigma de desenvolvimento económico e social do país. Podem contribuir de forma decisiva, para que este desafio seja vencido e que as fragilidades estruturais da competitividade do país e das empresas sejam ultrapassadas.
 

 
 
As expetativas sobre o desempenho das Universidades no processo de crescimento económico, inteligente e inclusivo, tanto do ponto de vista social como regional, são enormes e requerem um olhar atento.
 
Os desafios das Universidades passam:
 
pela formação de jovens com competências para enfrentar um mercado global, dotados de qualidades empreendedoras e de espírito de cidadania;
 
pelo desenvolvimento de investigação, de conhecimento inovador de elevado valor acrescentado, valorizando a transferência de tecnologia e o retorno económico da ciência;
 
pela promoção da cultura,  pelo seu papel na coesão territorial, económica e social, enquanto âncoras de esperança que permitam atenuar os desequilíbrios atuais.
 
É com as Universidades e com o conhecimento, que o crescimento económico dá lugar ao estádio mais avançado do desenvolvimento. É com as academias que a informação se transforma na sabedoria que ilustra um povo.
 

 
 
Senhor Ministro
 
Minhas senhoras, meus senhores,
 
Num processo de desenvolvimento económico e social equilibrado do país, é determinante, deixar de ver as instituições de ensino superior do arco do interior, que se localizam em regiões de baixa densidade como um problema, mas antes como uma oportunidade para a construção de um Portugal mais coeso, mais inclusivo e mais solidário.
 
Entendo que no âmbito das políticas públicas, estas instituições merecem ser apoiadas como âncoras de fixação de população, de criação de emprego e pelo seu papel na diminuição das assimetrias regionais, num verdadeiro exercício de pública prestação de contas.
 
Julgo que é clara a nova forma de gerir as instituições e do seu relacionamento com a sociedade, a quem temos de transmitir o que fazemos e por que motivo o fazemos.
 
No entanto, temos de resistir à tentação interna, de adiar a resolução dos problemas, com base na convicção de que amanhã acordaremos com tudo resolvido.
 
Neste tempo complexo, o historial de prestígio da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro não nos perdoará, se não implementarmos as linhas de orientação e os compromissos assumidos no programa de ação sufragados pelo Conselho Geral.
 
Um primeiro compromisso assenta na promoção da qualidade de ensino e da aprendizagem, numa ótica de cultura de participação e de responsabilidade, uma agenda que envolve a consolidação de uma oferta educativa sustentada e a promoção do ensino em rede.
 
A aposta na ciência, tecnologia e inovação constitui um segundo compromisso, devendo ser atribuída forte relevância à reorganização do sistema científico, agregando massa crítica nas áreas estratégicas, visando gerar projetos competitivos que captem financiamento nacional e internacional.
 
Um terceiro compromisso centra-se no desenvolvimento económico e social. A atual crise económica tem vindo a produzir impactos assimétricos, com reflexos nos indicadores económicos das regiões, alterando de forma significativa a geografia do desemprego, situação a que a Universidade deve estar atenta.
 
Estes, são os principais compromissos do programa de ação, que esta equipa reitoral irá desenvolver nos próximos anos, em cooperação ativa e participada, com os órgãos de governo da Universidade, as escolas, os centros de investigação, os serviços, envolvendo a academia, a região e os seus atores.
 
O programa de ação será consubstanciado no plano estratégico de médio prazo, a submeter à apreciação do Conselho Geral até final de novembro e, nos consequentes, planos de atividades e orçamentos anuais.
 
Do Conselho Geral, além do cumprimento dos aspetos legais estatutários, esperamos uma visão independente e, sobretudo crítica, das propostas a apresentar.
 
O cumprimento deste programa exige um novo tipo de organização e de gestão, baseado numa cultura de trabalho colaborativo, em rede, de participação e inovação, próprio de uma “organização aprendente”. Trata-se de uma transformação fundamental que temos de fazer com tranquilidade, mas com determinação e confiança.
 
Este cenário exige valorizar a participação ativa de toda a comunidade académica, potenciando o poder da inteligência coletiva, facilitando condições de aprendizagem e de inovação, fatores fundamentais para o desenvolvimento e a afirmação da Universidade.
 
Esta equipa reitoral, a quem agradeço a disponibilidade para abraçar esta nobre tarefa de colocar a UTAD numa nova trajetória, está consciente das dificuldades da situação atual e das suas responsabilidades, face ao momento e aos desafios do presente e do futuro. Temos uma enorme missão pela frente, mas não estaremos sós. 
 
Todos serão chamados! Todos terão o seu lugar! Todos terão o seu papel!
 
A UTAD é de todos, feita por todos e é com todos que contaremos!
 
Acredito que, com o empenho, o trabalho, a determinação e a força de vontade de todos, podemos progredir e reforçar a presença da UTAD na região e no país.
 
Termino, com a mesma mensagem de otimismo e de confiança com que iniciei esta intervenção, com a firme convicção de que passado este período conturbado, teremos uma instituição mais preparada para competir e vencer num mundo global e em constante mudança.
 
O historial e a capacidade de adaptação demonstrada ao longo da sua existência, permitem-nos acreditar que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro será uma instituição mais forte, mais interventiva, que poderá ampliar o seu contributo no desenvolvimento social, cultural e económico.
 
Este é o nosso compromisso sério com a UTAD, a região e o país!
 

 
 
Muito Obrigado
 

 
 
Discurso de Tomada de Posse do Reitor da UTAD
 
Vila real 29 de julho de 2013